Você está aqui: Página Inicial > Infraestrutura > 2014 > 02 > Plano de Combate age contra pesca irregular

Infraestrutura

Plano de Combate age contra pesca irregular

Amazônia

Denúncias envolvem falsificação, lesão aos direitos do consumidor e trabalho infantil ou em condições análogas a escravo
por Portal Brasil publicado: 21/02/2014 16h24 última modificação: 30/07/2014 03h13

Após receber denúncias de que botos são sacrificados para servir de isca na pesca do peixe piracatinga, em algumas localidades na Amazônia, e da existência de riscos à saúde pública no consumo do pescado, autoridades ligadas ao Plano Nacional de Combate à Pesca Ilegal decidiram, em Brasília, desencadear uma série de operações e providências para impedir essas práticas.

 As denúncias envolvem ainda falsificação, lesão aos direitos do consumidor e trabalho infantil ou em condições análogas a escravo, de acordo com Mutsuo Asano Filho, diretor do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e coordenador do plano nacional.

Tendo em vista a gravidade dos relatos, as autoridades do Plano Nacional de Combate à Pesca Ilegal – que conta com representantes dos ministérios e órgãos da Pesca e Aquicultura, Meio Ambiente, Justiça, Agricultura e Defesa -  decidiram reforçar a  fiscalização e promover uma moratória de seis meses no transporte e na comercialização da piracatinga, exceto quando proveniente da aquicultura.  Uma medida conjunta do MPA e MMA, com tal finalidade, será publicada em breve. O prazo servirá  para avaliar a amplitude do problema, as práticas envolvidas e as melhores estratégias de combate às irregularidades.

Peixe necrófago

De porte médio – alcança até 45 centímetros – a piracatinga (Calophysus macropterus) é encontrada, sobretudo, na bacia Solimões/Amazonas. Espécie oportunista, ingere alimentos de origem animal e vegetal, inclusive carcaça de animais mortos, sendo por isso conhecida pelos ribeirinhos por “urubu d’água”.

Embora seja considerada um alimento pouco nobre na região Norte, a espécie, conforme as denúncias, vem sendo processada em frigoríficos para venda de filés em feiras e supermercados com os nomes sugestivos de “douradinha” ou “piratinga”, o que leva o consumidor a incorrer em erro.

A sanidade desse pescado está sendo questionada, já que pode conter substâncias químicas prejudiciais à saúde pública. A venda do peixe para outros estados – como São Paulo e Rio Grande do Sul – pode estar sendo feita sem inspeção federal e falsificada como pescados mais nobres, a exemplo da piramutaba (Brachyplatystoma vaillanti) e da dourada (B. flavicans). Outra denúncia é de que a piracatinga, da família dos bagues, vem sendo exportada ilegalmente para a Colômbia, onde tem aceitação de mercado.

A matança de boto-cinza e de boto-cor-de-rosa – que vive exclusivamente nos rios da bacia Amazônica e do Orinoco – seria devido à sua carne em decomposição ser atrativa para o peixe. A captura de boto é considerada um grave crime ambiental. Também está sendo investigada a utilização de carne de jacaré para a mesma finalidade.

Já o trabalho infantil ou escravo pode estar ocorrendo não apenas nas atividades de pesca como na de beneficiamento do pescado.

Desdobramentos

Segundo Mutsuo Asano Filho, a  Procuradoria da República no Estado do Amazonas foi a primeira a formalizar as denúncias sobre mortandade de botos, no final de 2013. Como parte do Ministério Público Federal já abriu, inclusive,  um Inquérito Civil Público (ICP) para apurar o caso. O assunto também já estava em pauta no âmbito do Plano Nacional de Combate à Pesca Ilegal por manifestações de ambientalistas e da imprensa.

Agora, as operações de fiscalização relacionadas à piracatinga serão intensificadas tanto em rios quanto em frigoríficos e centros de abastecimento dos estados do Amazonas e do Pará.

Exemplares da espécie, de várias localidades, serão submetidos a análises laboratoriais para verificar a sua sanidade. A Marinha do Brasil (MB) também deve reforçar a fiscalização nas zonas de fronteira com a Colômbia, para impedir o contrabando de pescado.

O coordenador do Plano Nacional de Combate à Pesca Ilegal acredita que as denúncias podem levar o governo federal a editar normativas específicas para a piracatinga. Há espaço ainda para a discussão de  alternativas criativas, como o manejo de jacarés na Amazônia para a produção de iscas.

Recentemente, a pesca da piracatinga foi discutida em reunião no MPA, com a presença de representantes da Procuradoria da República no Estado do Amazonas, do MMA/ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),  da Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no estado do Amazonas, e da Marinha do Brasil (MB).

Fonte:

Ministério da Pesca e Aquicultura

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Brasil Sem Miséria - Programa Água para Todos
Brasil Sem Miséria - Programa Água para Todos
Cisternas nas Escolas
Conheça o projeto Cisternas nas Escolas, que vai levar 5 mil cisternas às escolas do semiárido brasileiro. Arnoldo de Campos, secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS explica o projeto.
Governo dará suporte contra a crise hídrica em áreas urbanas
Deliberação foi feita nesta quarta (1º) durante reunião interministerial do Grupo de Segurança Hídrica. Ações são direcionadas para o Nordeste
Brasil Sem Miséria - Programa Água para Todos
Brasil Sem Miséria - Programa Água para Todos
Conheça o projeto Cisternas nas Escolas, que vai levar 5 mil cisternas às escolas do semiárido brasileiro. Arnoldo de Campos, secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS explica o projeto.
Cisternas nas Escolas
Deliberação foi feita nesta quarta (1º) durante reunião interministerial do Grupo de Segurança Hídrica. Ações são direcionadas para o Nordeste
Governo dará suporte contra a crise hídrica em áreas urbanas

Últimas imagens

O objetivo é criar mecanismos para universalizar a internet de alta velocidade, reforçar a infraestrutura de acesso e incentivar os investimentos no setor
O objetivo é criar mecanismos para universalizar a internet de alta velocidade, reforçar a infraestrutura de acesso e incentivar os investimentos no setor
Desde 2009, Programa já entregou mais de 2,6 milhões de moradias
Desde 2009, Programa já entregou mais de 2,6 milhões de moradias
Divulgação/Ministério das Cidades
Programa já alcançou 96% dos municípios brasileiros, 5.330 cidades diferentes
Programa já alcançou 96% dos municípios brasileiros, 5.330 cidades diferentes
Iano Andrade/Portal Brasil
Terceira fase do programa vai contratar mais 2 milhões de moradias, a serem construídas até 2018
Terceira fase do programa vai contratar mais 2 milhões de moradias, a serem construídas até 2018
Divulgação/Blog do Planalto
Seminário discutirá a necessidade de adaptar o sistema de  mobilidade urbana para reduzir as emissões de gases poluentes
Seminário discutirá a necessidade de adaptar o sistema de mobilidade urbana para reduzir as emissões de gases poluentes
Divulgação/EBC

Governo digital