Infraestrutura
Fortaleza sedia evento internacional sobre mudanças climáticas
Adaptation Futures
O ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, participa da Adaptation Future, evento internacional sobre mudanças climáticas, na discussão sobre a abordagem proativa da política de secas.
A programação do evento em Fortaleza (CE) prevê a presença do governador do Ceará, Cid Gomes, Mariano Laplane, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); Deborah Wetzel, do Banco Mundial, Slaeem Huq, da Provia e José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Donald Wilhite, da Universidade de Nebraska (EUA), autoridade mundial numa abordagem proativa da política de secas, dará a palestra principal, seguida de debate com o ministro Francisco Teixeira, Michel Jarraud, da Organização Meteorológica Mundial, Monique Berbut, da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e José Graziano da Silva, da Organização Mundial para Agricultura e Alimentação (FAO). Pela tarde, o painel sobre perspectivas de política nacional de secas será abordado por José Machado, do Ministério da Integração Nacional; Erwin De Nys, do Banco Mundial; Joaquin Andreu, que discutirá a experiência da Espanha e Mario Lopez Peres, que relatará o modelo do México.
O Banco Mundial realizou na quinta-feira workshop para jornalistas sobre Gestão de Risco de Desastre – Iniciativas de Prevenção e Monitoramento das Secas, conduzido por Erwin De Nys, especialista em recursos hídricos e Frederico Ferreira Pedroso, especialista em gestão de riscos de desastres. O seminário apresentou iniciativas para prevenção da seca no Nordeste e a gestão de outros fenômenos naturais no Brasil e serviu como introdução para o painel da sexta-feira.
Pedroso observou que o Brasil não tem projeto exclusivo de gestão de desastres, apenas componentes com este enfoque e discorreu sobre as diferenças de agir com reatividade ou proatividade diante da realidade de crise. Segundo ele, desastres custam caro e atingem mais a população carente, a exemplo da enchente em Pernambuco e Alagoas em 2010 que, conforme estudo do Banco Mundial, comprovou que causou prejuízo de R$ 3,4 bilhões. O mundo tem por ano prejuízo de US$ 3,5 trilhões, disse ele, ao defender metodologia de gestão de riscos e desastres adotada pelo Banco Mundial que envolve estudos analíticos e capacitação e ou assistência técnica dos entes atingidos.
A seca, observa Erwin De Nys, é um evento extremo não tão imediato como a enchente, terremoto ou tsunami, se instala lentamente e causa impacto. Nos últimos 30 anos, os EUA tiveram US$ 250 bilhões de prejuízo com secas e em data mais recente, a seca de 2012 causou prejuízo de US$ 70 bilhões ao país. Por isso, segundo ele, o país mudou o paradigma do que antes era uma reação de gestão de crise para uma ação, com a prática de uma gestão proativa.
Em 1999 os Estados Unidos lançaram um plano de secas com um monitor de secas por iniciativa dos técnicos que resultou em um mapa, um dos 10 sites mais consultados pela Internet no país, com validação local, que permite monitorar o estágio da seca e adotar medidas conforme o estágio de gravidade, visualizado em escala de quatro níveis. O Banco Mundial patrocina o projeto de assistência técnica "Preparação para as secas e resiliência às mudanças climáticas", que num primeiro nível promove um diálogo sobre a política nacional de convivência com o semiárido e preparação às secas.
O segundo nível se concretiza em um projeto piloto de preparação para as secas no Nordeste constituído por um Monitor de Secas do Nordeste e planos locais de preparação, que envolve a sociedade em torno de indicadores e indicação de ações a serem tomadas conforme o estágio de instalação da seca. Um experimento está em andamento na bacia hidrográfica do rio Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte e Paraiba, e no açude Cruzeta. Outra enfoca o abastecimento urbano em Fortaleza e no Agreste pernambucano e uma terceira enfoca a agricultura de sequeiro em um município do Ceará.
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