Infraestrutura
Matriz energética brasileira é destaque em fórum da ONU
Mercado de energia
O Brasil foi o único país convidado para apresentar sua expertise em energias renováveis no fórum anual da Iniciativa Energia Sustentável para Todos (SE4All), que termina hoje (6), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). O fórum tem, dentre outros objetivos, lançar oficialmente a Década das Nações Unidas para Energia Sustentável para Todos (2014-2024).
“O Brasil continuará na liderança da produção mundial de energias renováveis nas próximas duas décadas, e a apresentação sobre sua matriz eletroenergética visou levar a outros países a experiência bem-sucedida nas áreas em foco pela Iniciativa da ONU”, explicou o diretor-geral do Cepel, Albert Melo, que integra a delegação do Ministério de Minas e Energia (MME) no evento. O Centro é o representante técnico do ministério na iniciativa.
Melo participou da sessão “Renewable Energy - the Brazilian Expertise”, realizada na tarde de 04 de junho, e que contou também com a presença de José Antonio Coimbra, chefe de gabinete do MME, Altino Ventura, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético da pasta, e Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional.
Em suas apresentações, Coimbra e Ventura ressaltaram o fato de o Brasil vir cumprindo os compromissos assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), assegurando, dentre outras ações estratégicas, uma matriz limpa, por meio do fomento à diversificação de fontes renováveis de energia, e do incremento da eficiência energética.
“A economia energética brasileira pode ser considerada de baixo carbono, pois 46% da matriz energética do País provêm de fontes renováveis, entre elas as hidrelétricas e a biomassa. Quando se fala na matriz elétrica, este número ultrapassa os 80%”, disse Ventura.
O secretário acrescentou que a participação de fontes renováveis na capacidade instalada de geração elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) crescerá 2% nos próximos dez anos, passando de 83,8% em 2012 para 85,8% em 2022. De acordo com ele, o aumento se deve, em especial, ao crescimento do parque eólico do país, que saltará de 1,5% no final de 2012 para 9,5% em 2022. A capacidade instalada das usinas eólicas, hoje em torno de 1,8 mil megawatts (MW), subirá para 17,4 mil MW no decênio.
“O investimento no setor elétrico, até 2022, será de R$ 260 bilhões: sendo 77% destinados à geração, e 23%, à transmissão”, enfatizou Coimbra. O representante do MME também destacou outro compromisso assumido pelo Brasil durante a Rio +20: a universalização do acesso à energia elétrica. Segundo ele, 99,5% da população do País já possuem energia elétrica em suas residências, resultado do programa “Luz Para Todos”, lançado pelo governo federal em novembro de 2003 e que, ”no final de 2013, já havia atingido a marca de 15 milhões de beneficiados, gerando emprego e renda, e contribuindo para a permanência dos brasileiros no campo”, acrescentou.
Já o diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional apresentou um status do desenvolvimento do etanol brasileiro, principal contribuidor, ao lado da hidroeletricidade, para a característica renovável da matriz energética do país. Também abordou o exitoso projeto de biogás da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, cujo modelo foi exportado para o Uruguai.
Pesquisa e desenvolvimento tecnológico
Em sua apresentação, o diretor do Cepel citou decisões estratégicas, tomadas pelo Brasil, durante a crise mundial do petróleo na década de 1970, e que possibilitaram ao país ter, hoje, sua matriz eletroenergética em destaque internacional.
”As decisões tomadas àquela época, como explorar melhor o potencial hidroelétrico do país, implantar um sistema de transmissão de grande extensão, e desenvolver conhecimento e tecnologia, possibilitaram ao Brasil dispor, atualmente, de uma capacidade instalada de 128 mil MW, produzindo mais de 80% de sua energia por meio de fontes renováveis, bem como de um sistema de transmissão de alta tensão com 117 mil quilômetros de extensão, e cuja gestão é realizada dentro de critérios de sustentabilidade e segurança”, disse Melo.
Neste contexto, o diretor do Cepel destacou o suporte técnico dado pelo Centro ao MME e às empresas Eletrobras, ao longo de seus 40 anos, mencionando, dentre outros desenvolvimentos, a cadeia de metodologias e programas computacionais baseados em técnicas matemáticas de otimização e tratamento de incertezas, que permite a definição de planos coordenados de expansão e operação. Ressaltou, também, os software desenvolvidos para o projeto, análise, planejamento e operação em tempo real do sistema de transmissão, assim como os sistemas integrados de monitoração e diagnóstico de equipamentos.
A infraestrutura laboratorial de Ultra-Alta Tensão (UAT), em construção no Centro, também foi um dos pontos ressaltados por Melo. “A duplicação da capacidade instalada, nos próximos 15 anos, somada às dimensões continentais do Brasil, impõe um novo paradigma para a transmissão: a Ultra-Alta Tensão, nos níveis de 1.200 kV em corrente alternada e ± 800 kV em corrente contínua. No novo laboratório, será possível realizar pesquisa experimental e subsidiar o desenvolvimento de novas tecnologias em UAT”, explicou o diretor.
Fonte:
Eletrobras Cepel
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