Infraestrutura
Hidrelétricas podem absorver gases do efeito estufa, aponta estudo
Energia e meio ambiente
Estudo divulgado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), nesta quinta-feira (21) revela que reservatórios de usinas hidrelétricas podem atuar como sumidouros de gases de efeito estufa. Pesquisadores de 15 instituições do País realizaram estudo, durante um ano, e revelam que os reservatórios das hidrelétricas seriam capazes de absorver o gás nocivo ao meio ambiente. Entre as 11 usinas observadas, Funil de Minas Gerais e Xingó, situada entre Alagoas e Sergipe, registram taxas negativas de emissão de gases.
O cálculo das emissões líquidas de gases – que considera o período que antecedeu o alagamento da área e o compara com os resultados de medições atuais – é inovador e permite verificar casos em que a absorção dos gases pelo reservatório é maior do que a emissão pela usina.
O diretor-geral do Cepel, Albert Melo, avalia que os dados ajudam a desmistificar o assunto. “É importante também para acabar com mitos como os de que hidrelétricas em áreas tropicais são fontes relevantes de emissão de gases do efeito estufa”, afirmou. “Nos estudos realizados, constatou-se que as emissões de Tucuruí, por exemplo, são menores que das emissões da usina hidrelétrica canadense Eastmain 1, ambas baixas, principalmente se comparadas a uma usina termelétrica equivalente”, disse. De acordo com a pesquisa, a emissão líquida média registrada na usina de Tucuruí (Pará) é de 34,0 gCO2e/kWh, ao passo que a usina Eastmain 1, no Canadá, emite 53,1 gCO2e/kWh.
Metodologia
Para a pesquisa, que envolveu 108 pesquisadores de cerca de 15 instituições, foram feitas 44 campanhas de campo entre 2011 e 2012, em 11 aproveitamentos hidroelétricos no Brasil, oito em operação (UHEs Balbina, Itaipu, Tucuruí, Serra da Mesa, Xingó, Três Marias, Funil e Segredo) e três em construção (UHEs Santo Antônio, Belo Monte e Batalha). O relatório final da pesquisa deu origem ao livro “Emissões de Gases de Efeito Estufa em Reservatórios de Centrais Hidrelétricas”.
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