Meio ambiente
Informações da flora nacional em museus estrangeiros vão ser repatriadas
As informações essenciais de plantas e flores brasileiras que foram coletadas por estrangeiros e levadas para museus de outros países, principalmente da Europa vão ser repatriadas. O projeto, que envolve institutos de desenvolvimento de pesquisas e o Ministério da Educação, vai colocar cerca de R$ 17 milhões à disposição de pesquisadores que terão até o dia 25 de outubro para preparar propostas.
Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), o objetivo é contribuir significativamente para o desenvolvimento científico do País, disponibilizando os espécimes resgatados por pesquisadores brasileiros no Herbário Virtual Autenticado de Espécies da Flora do Brasil - o REFLORA. O plano envolve apenas plantas e flores coletadas nos séculos 18, 19 e 20.
Informações da flora nacional
Em um primeiro tempo o edital vai tratar apenas dos espécimes depositados no Jardim Botânico Real de Kew, na Inglaterra, e do Museu Nacional de História Natural de Paris, na França. As duas instituições estrangeiras assinaram protocolo de entendimento com o CNPQ em 2009.
De acordo com levantamentos do CNPq, o Jardim Botânico de Kew conta com cerca 400 mil espécimes e no Museu de Paris estão entre 280 a 380 mil plantas e flores brasileiras.
Outros países como Alemanha, Suécia e Holanda contam com exemplares da flora nacional coletadas até o século 20 em seus herbários. "Existe a intenção de que outros herbários entrem em futuros editais. Mas os principais são os de Kew e Paris", disse o gestor do edital, Fernando da Costa Pinheiro.
De acordo com Pinheiro, o repatriamento não é físico. "As plantas desidratadas vão continuar lá. O que vai vir para cá é o arquivo digitalizado desse material histórico, em alta qualidade, para a gente compor um banco de dados e deixar disponível para todo mundo", inclusive as cadernetas de anotações dos cientistas.
Biopirataria à moda antiga - um dos maiores colaboradores do Jardim Botânico de Kew, o médico e especialista em botânica, George Gardner, registrou uma coleção de mais de 60 mil plantas da flora brasileira.
O cientista esteve no Brasil entre 1836 e 1841. Viveu dois anos no Rio de Janeiro e arredores, viajou pela Bahia e Pernambuco. De lá, iniciou uma viagem pelos Sertões do Ceará, Piauí, Goiás e Minas Gerais, regiões que na época eram pouco conhecidas dos viajantes europeus. Dessa viagem resultou o livro Travels In The Interior of Brasil, publicado em 1846.
Anos antes, em 1816, o botânico e naturalista francês Augustin de Saint-Hilaire veio morar no País junto como uma grande comissão de sábios franceses que viram a vida se complicar na França após a derrota de Napoleão Bonaparte. Fixando residência no Rio de Janeiro por dois anos, Saint-Hilaire , antes de partir, em 1822, enviou cerca de 21 caixas abarrotadas de espécimes da flora brasileira para a França.
Como Gardner e Saint-Hilaire, outros cientistas botânicos vieram estudar a exótica flora brasileira depois da chegada de D. João VI e da corte portuguesa ao Brasil, em 1808. Entre os mais importantes podemos citar Spruce, Sellow, Glaziou, Pringle, Riedel, Lehmann, Pohl, Ducke, Bang, Ule, Tweedie, Burchell, Blanchet, Wright, Schomburgk e Jameson.
Os dados históricos sobre coletas de plantas brasileiras nos séculos 18, 19 e 20 são fundamentais aos estudos taxonômicos e fornecem grandes subsídios para futuros avanços científicos e tecnológicos para a Ciência Botânica do Brasil. Grande parte desses acervos contém os materiais-tipo e estão ligados a uma "localização tipo" com a descrição geográfica do local e data de coleta.
Informações completas sobre o edital então disponíveis no site do CNPq.
Fonte:
Portal Brasil
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