Você está aqui: Página Inicial > Meio Ambiente > 2010 > 10 > Uso correto da floresta gera renda na Amazônia

Meio ambiente

Uso correto da floresta gera renda na Amazônia

por Portal Brasil publicado: 22/10/2010 20h07 última modificação: 28/07/2014 11h48
Divulgação/Fapeam

Uma área de meio milhão de hectares no coração da Amazônia está gerando renda e cidadania para quase três mil pessoas que vivem na Floresta Nacional do Tapajós (Flona), no estado do Pará, no Norte do Brasil. Com uma grande diversidade de espécies da fauna e flora brasileira, a flona habitada por populações ribeirinhas é rica em espécies madeireiras de alto valor comercial. Mas até pouco tempo, a madeira não podia ser explorada legalmente, deixando os moradores da floresta sem renda para as necessidades do dia a dia.O pouco que ganhavam vinha da venda da farinha, do artesanato e dos pescados.

Com a legalização do manejo florestal comunitário pelo governo federal em 2005, a vida das comunidades começou a mudar. A Floresta Nacional do Tapajós foi uma das primeiras a ter seu plano de manejo aprovado. As comunidades terão 31.560 hectares (5% da área) para explorar em pequenas parcelas anuais de cerca de mil hectares cada. A parcela de floresta explorada em um determinado ano, terá outros 32 para se regenerar, garantindo os recursos para as novas gerações. 

Para organizar a exploração sustentável da floresta, os moradores criaram a Cooperativa Mista Flona Tapajós Verde (Coomflona). Juntas, as comunidades deram início ao Projeto Ambé, uma iniciativa para favorecer o uso múltiplo dos recursos da floresta, que inclui a extração de madeira, resinas, matéria-prima para o artesanato e o ecoturismo. 

Em 2008, foram explorados cem hectares de floresta. No ano seguinte, 300. Este ano, foram 700 hectares, que renderam 13.450 metros cúbicos de madeira. A venda do produto obedece a regras de uma licitação pública. A vencedora foi uma madeireira do município de Santarém, que pagou R$ 197 por metro cúbico de madeira. As toras de Maçaranduba, Jatobá, Ipê e outras 25 espécies de madeira foram cortadas e exportadas para os Estados Unidos e a Europa, gerando R$ 2,6 milhões para os associados. 

Hoje uma família ligada ao projeto tem renda entre R$ 4 e 8 mil no período da safra – que ocorre durante os seis meses do período da seca na Amazônia. “Agora já conseguimos mandar os filhos para a escola, muitos já vão para a faculdade”, orgulha-se o presidente da Coonflona, Sérgio Pimentel, um dos pioneiros da iniciativa. Segundo ele, as comunidades adquiriram bens como geladeiras e antenas parabólicas. “Boa parte da renda ainda é usada no aluguel de equipamentos para o manejo, como tratores e carregadeiras. Em breve, esperamos ter financiamento para comprar nossos próprios equipamentos”, diz o líder comunitário.

Uso múltiplo da floresta
 

Este ano, o projeto ganhou o Prêmio Chico Mendes, do governo federal, na categoria Negócios Sustentáveis. “O nosso projeto promove o uso sustentável da floresta e inibe o desmatamento. Isso ajuda também o clima”, explica Pimentel. 

Além da madeira destinada quase que toda à exportação, o Projeto Ambé abriga outros produtos florestais, sempre na perspectiva do uso sustentável da floresta. Há 13 espécies das quais se pode aproveitar os frutos e sementes,sem a necessidade de corte das árvores. São elas a castanha-do-pará, de andiroba, de cumaru, de cumaruí e de piquiá. Leites, óleos e resinas para aplicação industrial na área sairão de espécies como copaíba, seringueira, amapá doce e amapaí. Há também o uso de cascas extraídas de espécies como preciosa, quinarana, carapanaúba e pau rosa, que serve de matéria-prima para a produção de cosméticos comercializados internacionalmente.

 

Fonte:
Portal Brasil

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Brasil assina acordo de Paris sobre mudança do clima
A cerimônia reuniu mais de 130 chefes de Estado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas
Mais de 80% das áreas rurais já foram registradas
O Ministério do Meio Ambiente apresentou, nesta sexta-feira (6), um balanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Crise Hídrica: governo vai financiar recuperação de nascentes de rios
Serão R$ 45 milhões para criar até 30 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em assentamento da reforma agrária próximos a 18 regiões metropolitanas do País
A cerimônia reuniu mais de 130 chefes de Estado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas
Brasil assina acordo de Paris sobre mudança do clima
O Ministério do Meio Ambiente apresentou, nesta sexta-feira (6), um balanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Mais de 80% das áreas rurais já foram registradas
Serão R$ 45 milhões para criar até 30 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em assentamento da reforma agrária próximos a 18 regiões metropolitanas do País
Crise Hídrica: governo vai financiar recuperação de nascentes de rios

Últimas imagens

Vista da RPPN Raso do Mandi II, em Santa Catarina
Vista da RPPN Raso do Mandi II, em Santa Catarina
ICMBio/Germano Woehl Junior
Medidas permitiu reduzir em 12,5% a relação entre a quantidade de água consumida e o volume de petróleo processado
Medidas permitiu reduzir em 12,5% a relação entre a quantidade de água consumida e o volume de petróleo processado
Divulgação/Petrobras
Relatório da Unesco recomenda que cada país promova políticas para alcançar equilíbrio entre os setores da economia e a sustentabilidade dos recursos hídricos
Relatório da Unesco recomenda que cada país promova políticas para alcançar equilíbrio entre os setores da economia e a sustentabilidade dos recursos hídricos
Divulgação/Governo de São Paulo
Após reabilitação, quatro peixes-boi são devolvidos aos rios da Amazônia
Após reabilitação, quatro peixes-boi são devolvidos aos rios da Amazônia
Foto: Cláudio Sampaio/ICMBio
Após a apreensão, todos os animais foram devolvidos com vida ao rio Branco
Após a apreensão, todos os animais foram devolvidos com vida ao rio Branco
Divulgação/ICMBio

Governo digital