Meio ambiente
População de botos no Amazonas diminui 10% em dez anos
Pesquisas de monitoramento com o boto-vermelho (Inia geoffrensis) revelam que, na última década, diminuiu em 10% a população de botos-vermelhos no Amazonas. Uma das causas dessa diminuição pode ser a captura predatória de botos-vermelhos para uso na pesca da piracatinga (Calophysus macropterus)— espécie de peixe muito abundante na região amazônica e consumido em larga escala pelos colombianos.
Em visita realizada ao município de Tefé, no final do último ano, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) identificaram que a captura do animal é constante e considerada normal para os moradores da região , embora os comunitários tenham consciência de que a pesca ou caça de animais silvestres é crime ambiental.
“O peixe é mais facilmente capturado utilizando carne de jacaré e de boto, esta última tem um odor mais apelativo a essa espécie de peixe. Geralmente utiliza-se como isca um boto-vermelho adulto, que pode pesar entre 150 e 200kg. Com uma isca desse porte é possível pescar aproximadamente uma tonelada de piracatinga”, afirmou a pesquisadora.
Os especialistas afirma, no entanto, que a pesca da piracatinga poderia ser capturada com vísceras de outros animais. “O custo-benefício ao usar o boto como isca é mais vantajoso para eles e o tempo de trabalho é reduzido”, disse Carmo.
De acordo com Jéferson Lobato, do departamento de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), um estudo está sendo feito para avaliar se a captura de botos e jacarés está alterando de alguma forma o biossistema da localidade em questão.
Já o Batalhão Ambiental informou que tem conhecimento do caso e está traçando estratégias para combater a atividade.
Os estudos são realizados desde 1993 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM).
Fonte:
Ministério da Ciência e Tecnologia
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