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Desmatamento no Cerrado cai 16% em 2010

por Portal Brasil publicado: 13/09/2011 16h56 última modificação: 28/07/2014 12h57

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentou nesta terça-feira (13), em Brasília, dados analisados por técnicos de geoprocessamento com base em imagens de satélite do Cerrado. De acordo com o estudo, o desmatamento do bioma voltou a apresentar queda entre os anos de 2009 e 2010. A perda de vegetação nativa no período foi de 6,2 mil quilômetros quadrados, contra 7,4 mil quilômetros quadrados em 2008/2009.

A redução no ritmo de desmatamento do Cerrado pode ser atribuída ao aperfeiçoamento da fiscalização ambiental, que tem utilizado dados de monitoramento e estratégias de inteligência, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “A fiscalização está mais sofisticada, utilizando dados do monitoramento, que permitem um planejamento dirigido para os municípios que mais desmatam, e com o uso da inteligência, em parceria com as instituições da Comissão Interministerial no Combate aos Crimes e Infrações Ambientais”, avaliou.

O Plano de Ação de Prevenção e Combate às Queimadas e ao Desmatamento no Cerrado completa um ano na próxima quinta-feira (15), comemorando a queda de 16% da área desmatada do bioma. Se forem consideradas as médias anteriores, que começaram em 2002, o desmatamento diminuiu 40%.

No Cerrado, é possível desmatar legalmente até 80% das propriedades. Por isso, reduzir de 0,37% para 0,32% o total da área desmatada é considerado um resultado bastante expressivo. "Com a economia do Cerrado em crescimento, a pressão por novas áreas poderia ter puxado para cima as taxas de desmatamento, o que não ocorreu", avalia o diretor de políticas para o combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Mauro Pires.

Ao contrário da Amazônia, onde o controle gerou dados acumulados capazes de permitir uma análise mais detalhada, no Cerrado a falta deles faz com que se utilizem médias que vem desde 2002. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou para breve o uso de sistemas de monitoramento baseados no modelo que o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) emprega para vigiar a Amazônia em todos os biomas brasileiras, a começar pelo Cerrado.

Izabella esclareceu que não é possível separar a parcela de desmatamento ilegal no Cerrado da supressão da vegetal autorizada, feita de acordo com a lei. Porém, o estudo do Ibama indica que, nesse período, parte do cerrado foi alvo de desmatamento secundário. Isso quer dizer que áreas utilizadas no passado e em avançado estágio de recuperação natural foram novamente desmatadas.

As atividades agropecuárias e a produção de carvão para alimentar a siderurgia são apontadas como causas tradicionais do desmatamento, mas os técnicos também alertaram para o crescimento desordenado das áreas urbanas também devem ser considerados. Quem vai definir o conjunto de fatores responsáveis pelo desmatamento é o trabalho de campo do Ibama. Independente disso, a redução por dois períodos consecutivos já está sendo considerada um bom indicativo de que é possível controlar o desmatamento, mesmo com crescimento econômico.

Os estados do Maranhão e Piauí, que desmataram em um ano o equivalente a 1% de todo o seu território, foram responsáveis pelas maiores áreas de desflorestamento. Somados, os dois estados derrubaram mais de 2,3 mil hectares de mata nativa. A perda é equivalente a 25 mil campos de futebol.


Fiscalização

Para a ministra Izabella Teixeira, a redução no ritmo de desmatamento do Cerrado pode ser atribuída ao aperfeiçoamento da fiscalização ambiental, que tem utilizado dados de monitoramento e estratégias de inteligência.

“A fiscalização está mais sofisticada, utilizando dados do monitoramento, que permitem um planejamento dirigido para os municípios que mais desmatam, e com o uso da inteligência, em parceria com as instituições da Comissão Interministerial no Combate aos Crimes e Infrações Ambientais”, avaliou.

De janeiro a agosto desse ano, o Ibama aplicou 517 autos de infração e mais de R$142 milhões em multas a 140 municípios do bioma.

Com a taxa anual de 7,6 mil km² divulgada hoje, o Brasil atinge a meta de redução do desmatamento do Cerrado que estava prevista para 2020 no Plano Nacional sobre Mudança do Clima. A meta tinha como linha de base a derrubada anual de 15 mil km², e foi estabelecida com base na média de desmate entre 1995 e 2008, quando o monitoramento do bioma era menos preciso.


Fonte:
Ministério do Meio Ambiente
Agência Brasil

 

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