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Meio Ambiente

Evento discute convivência entre agricultura e apicultura

Biodiversidade

Trabalhos científico estudam o impacto que produtos usados na produção agrícola causam na vida de abelhas
por Portal Brasil publicado: 30/10/2013 19h33 última modificação: 29/07/2014 09h25
Divulgação/Kátia Braga/Embrapa Mortalidade de abelhas é ocasionada pela contaminação de agroquímicos

Mortalidade de abelhas é ocasionada pela contaminação de agroquímicos

Durante dois dias serão apresentados trabalhos científicos abordando o impacto de neonicotinoides sobre espécies de abelhas que ocorrem no Brasil e dão sustentação para o processo de reavaliação desses produtos. Também serão levantadas as lacunas de pesquisa existentes para embasar a reavaliação de impacto ambiental desses inseticidas no País, com vistas a induzir editais específicos, propor ações e políticas para mitigar os riscos identificados advindos do uso desses produtos.

Outro objetivo é apresentar o estado da arte quanto ao uso de neonicotinoides no Brasil (culturas em que são empregados, importância em sistemas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), programas de manejo da resistência a inseticidas e programas de sanidade apícola), impactos sociais, ambientais, comerciais, econômicos e fiscais da suspensão de uso desses defensivos.

O evento contará com a participação do pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Ricardo Camargo, que vai moderar duas mesas-redondas com apresentação de estudos de caso referentes à convivência entre a agricultura e apicultura. “O tema em questão tem sido foco de preocupação mundial em função do desaparecimento das abelhas e seu impacto na produção de alimentos e já era hora desse assunto também ser alvo de debate em nosso País fundamentalmente de perfil agrário”, diz.

Ele ressalta a oportunidade de debate com todos os atores envolvidos sobre a relação entre o modelo de agricultura atual e a conservação dos principais polinizadores, que são as abelhas, e as atividades relacionadas com sua criação racional (apicultura e meliponicultura). Conforme o pesquisador, essas atividades vêm sofrendo profundo impacto em virtude da mortalidade de abelhas ocasionada pela contaminação de agroquímicos. Ele enfatiza a falta de programas de proteção e seguro aos apicultores e meliponicultores, que têm perdido seu plantel, com prejuízos financeiros e que não têm sido cobertos por iniciativas como o seguro safra, por exemplo.

Um desafio do tamanho do agronegócio brasileiro

Diversas culturas de grande expressão econômica para o Brasil, como citros e outras fruteiras dependem da polinização por abelhas. Estudos realizados nos EUA estimam que o valor dos serviços ambientais da abelha Apis mellifera varia entre 5 a 14 bilhões de dólares por ano. No Brasil, não há estimativas precisas.

Para o Coordenador Geral de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luís Rangel, o desafio é enorme. “Temos que conciliar o desenvolvimento de setores importantes para a nossa economia com a preservação dos polinizadores. As decisões regulatórias não podem ser pautadas apenas em resultados de pesquisa realizada em outros países, pelas diferenças nas práticas de Manejo Integrado de Pragas, fatores bióticos e abióticos, tecnologias de aplicação e até mesmo linhagens e espécies de abelhas”, comenta. 

Segundo ele, este workshop é extremamente oportuno e traz à tona um tema que precisa ser discutido entre todos os elos do sistema. “Considero este workshop de extrema relevância para o agronegócio brasileiro, pois ele colocará na mesma mesa de discussão os representantes dos produtores rurais, do setor de insumos agrícolas e dos apicultores para buscar soluções. E, mais importante, contando com a presença de pesquisadores de reconhecida experiência na área”, complementa Rangel.

Nos dois primeiros dias, serão realizadas mesas-redondas e painéis para levantar a situação atual e propostas para indução de melhorias. No terceiro dia, um grupo restrito elaborará um documento sintetizando os encaminhamentos do evento e propondo ações para a mitigação dos gargalos apresentados. Ao final do evento, espera-se que seja formulada uma agenda de pesquisa e delineada uma estratégia para constituição de rede de pesquisa integrando entes do setor privado e os órgãos regulatórios à academia.

Fonte:

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

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