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Meio Ambiente

Abelhas correm risco de desaparecerem em Rondônia

Desmatamento

Pesquisa revela que a ocorrência pode trazer graves consequências pela alta relevância da especie para a biodiversidade
por Portal Brasil publicado: 12/11/2013 19h11 última modificação: 29/07/2014 23h56

Importantes agentes polinizadoras e responsáveis pela produção da maior parte dos frutos da natureza, as abelhas têm um papel fundamental no ambiente e desaparecimento pode acarretar consequências desastrosas para a humanidade. Pela relevância dessas polinizadoras para a manutenção da biodiversidade, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Marcio Oliveira, em parceria com o pesquisador J. Christopher Brown, da Universidade do Kansas (EUA), realizaram uma pesquisa que relaciona a colonização agrária e o desmatamento associado em Rondônia com o desaparecimento das abelhas.

Durante um ano, os pesquisadores visitaram 187 locais do estado. Através de monitoramento por imagens de satélites, foram identificadas as áreas mais desmatadas de Rondônia e depois feita a relação com o desaparecimento das espécies nestas regiões. “Com o incentivo da ocupação das terras de Rondônia nos anos 80, o crescimento foi acelerado e as populações começaram a desmatar para exercerem atividades agrícolas. Nas primeiras áreas que foram ocupadas, nota-se um número menor de espécies de abelhas do que nas ocupadas por último. Já nas áreas de colonização próximas de reservas indígenas e unidades de conservação, é onde se encontra um número maior de espécies, o que demonstra a importância dessas áreas”, explica Oliveira.

Ainda no estado, foi descoberta a maior riqueza de espécies de abelhas sem ferrão do planeta: são 98 espécies, sendo 10 delas classificadas como novas espécies e 16 vistas pela primeira vez em Rondônia. Entretanto, 12 espécies citadas para o estado não foram localizadas, o que preocupa o pesquisador e o motiva a realizar novas pesquisas a fim de confirmar se elas não estão em risco de extinção na região.

Preocupação alarmante

Segundo Marcos Oliveira, a preocupação com o desaparecimento das abelhas surgiu inicialmente com o órgão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em um alerta sobre as consequências que o sumiço poderia causar. “As abelhas sempre foram consideradas um dos organismos mais importantes da natureza. Estima-se que sejam responsáveis, através da polinização, pela produção de frutos em cerca de 800 alimentos consumidos pelo homem. Ou seja, seu desaparecimento ou diminuição poderá afetar a produção de algodão, de café, de laranja e muitos outros frutos e grãos consumidos pelo homem”, ressalta o pesquisador.

As variadas causas do desmatamento na Amazônia, com destaque para a expansão dos centros urbanos, lavouras, pastagens e madeireiras, além da abertura de estradas e a implementação de hidroelétricas e mineradoras, são importantes fatores que contribuem com seu desaparecimento. Segundo o pesquisador, nos últimos anos a comunidade científica tem alertado para as consequências dessas atividades sobre o aquecimento global, mas, muito pouco tem sido dito acerca das consequências sobre as abelhas, polinizadoras por excelência.

“Dependendo do modelo de ocupação adotado para a Amazônia, pode-se acarretar no desaparecimento local de algumas espécies de abelhas ou na diminuição de suas populações e ter consequências imprevisíveis sobre a agricultura. Então, a melhor estratégia seria conhecer os polinizadores, o que eles polinizam (há casos de plantas que só se reproduzem por causa de um polinizador específico), protegê-los e proteger suas áreas de ocorrência. Sem eles, o custo para a humanidade seria altíssimo” alerta Oliveira.

O pesquisador ainda lembra uma rede de supermercados orgânicos chamada Whole Foods - localizada no estado do Texas, nos Estados Unidos - que removeu temporariamente de suas gôndolas todos os produtos que provêm de plantas dependentes de polinização: foram 237 de 453 artigos, ou seja, 52% da porção normal do departamento.

Para reverter a situação, o pesquisador recomenda deixar grande parte das áreas desmatadas e hoje abandonadas para se regenerarem, sob a proteção oficial, assim como se faz nas áreas de preservação.

Publicação

O artigo em que consta os estudos dos pesquisadores em Rondônia, intitulado 'The impact of agricultural colonization and deforestation on stingless bee (Apidae: Meliponini) composition and richness in Rondônia, Brazil', foi publicado em Outubro pela revista  Apidologie, uma das mais importantes do mundo sobre abelhas. A revista francesa é ligada ao Instituto Nacional de Pesquisas da França (INRA). Para acessar o artigo clique aqui.

Fonte:
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia 

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