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Meio Ambiente

Instituto Mamirauá apresenta resultado de pesquisas sobre peixes

Amazônia

Estudos sobre ecologia e comportamento reprodutivo de espécies amazônicas podem ajudar na definição de estratégias de conservação
por Portal Brasil publicado: 28/03/2014 11h59 última modificação: 30/07/2014 03h15

Para definir estratégias de conservação de peixes é necessário conhecer aspectos da ecologia e, principalmente, da biologia reprodutiva das espécies. Esse tem sido o tema de algumas das pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas Ecologia e Biologia de Peixes do Instituto Mamirauá. Os resultados desses estudos estão sendo apresentados esta semana durante o 5º Workshop INCT-Adapta, realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus (AM).

Um dos trabalhos discutidos é o da ecologia comportamental da reprodução da família dos ciclídeos, que possui relevância econômica na Amazônia brasileira para a pesca comercial, esportiva e ornamental. Segundo o pesquisador Helder Queiroz, um dos autores do estudo, na região do Médio Solimões, os ciclídeos vêm sendo estudados ao longo dos últimos anos associados às condições dos diferentes corpos d’água encontrados na área de estudo.

“Usando como modelos algumas das espécies que ocorrem na área, buscamos compreender como elas conseguem se adaptar a ambientes de águas pretas e águas brancas, com grandes variações de pH, de produtividade primária e disponibilidade de alimentos, de abundância de predadores, de altas mortalidades, e com abruptas variações sazonais no ciclo hidrológico”, afirmou Queiroz.

Na região do Médio Solimões, foi detectada até o momento a ocorrência de 20 gêneros de ciclídeos. Destes, apenas Apistogrammoides esteve presente exclusivamente nos ambientes de águas brancas, e apenas Uaru foi encontrado somente nos ambientes de águas pretas. O número total de espécies presentes ainda não é conhecido, uma vez que a identificação de membros de alguns dos gêneros presentes ainda se mostra problemática, mas acredita-se que ele se encontre em torno de 35 a 40 espécies para a região.

Até o momento, foi possível investigar a reprodução de 15 espécies desta família e neste evento nove espécies estão sendo apresentadas. Uma delas descreveu e comparou algumas táticas reprodutivas de C. monoculus (tucunaré) em lagos de água branca e igarapés de água preta na Amazônia Central.

Segundo a pesquisadora Danielle Cavalcante, uma das autoras do estudo sobre tucunarés, os resultados foram comparados com os publicados anteriormente para a espécie em ambiente de águas brancas, com animais provenientes da pesca comercial. A variação de tamanho entre os sexos sugere que há um dimorfismo de tamanho, com machos maiores.  “Foram encontrados em águas pretas indivíduos reprodutivos quase o ano todo. Esse resultado indica desova prolongada. Entretanto, este resultado difere do encontrado para os tucunarés da água branca”, concluiu Cavalcante.

Os pesquisadores evidenciaram que quando comparadas as características reprodutivas entre membros das mesmas espécies vivendo em ambientes distintos, nas águas brancas há uma prevalência de táticas que resultam no aumento do sucesso reprodutivo. “Provavelmente este efeito compensatório está relacionado grande número de predadores e altas taxas de mortalidades”, enfatizou Queiroz.

Fonte:
Instituto Mamirauá

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