Você está aqui: Página Inicial > Meio Ambiente > 2014 > 03 > Pesquisador chama atenção para a proteção a macacos

Meio Ambiente

Pesquisador chama atenção para a proteção a macacos

Amazônia

Recém-empossado presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), Wilson Roberto Spironello alerta sobre pressão do desmatamento das florestas sobre espécies de primatas
por Portal Brasil publicado: 10/03/2014 16h16 última modificação: 30/07/2014 03h15

A pressão do desmatamento das florestas já ameaça seriamente três espécies de primatas da Amazônia, classificadas como Criticamente em Perigo, segundo a última oficina de avaliação do estado de conservação dos primatas brasileiros do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). São eles: o Saguinus bicolor (sauim-de-coleira), o Cebus kaapori (macaco caiarara ou macaco-de-cara-branca) e o Chiropotes satanas (cuxiú-preto). A informação é do recém-empossado presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), o ecólogo Wilson Roberto Spironello, 59.

“Se medidas não forem tomadas, várias espécies tendem a desaparecer. E esse número pode aumentar em médio e longo prazo mesmo em áreas como a Amazônia, em razão dos empreendimentos de infraestrutura em execução como hidroelétricas, redes de energia e repavimentação da BR-319”, alerta Spironello.

A cerimônia de posse da nova diretoria da SBPr aconteceu no fim de fevereiro (25), na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Com sede no Rio de Janeiro, a SBPr é uma entidade sem fins lucrativos e atua no desenvolvimento e incentivo ao estudo e preservação dos primatas brasileiros em parceria com órgãos não-governamentais e governamentais, como o Centro de Proteção aos Primatas Brasileiros (CPB) do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) ligado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

De acordo com Spironello, espécies que habitam florestas de terra firme na Amazônia como o macaco caiarara ou macaco-de-cara-branca e o cuxiú-preto, no extremo leste do bioma Amazônia, entre os estados do Pará e Maranhão, correm sério perigo de extinção juntamente como o sauim-de-coleira, que está distribuído em áreas restritas nos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, no Amazonas.

“Os primatas são os primeiros a sofrerem com o desmatamento pela perda de seu habitat. São espécies importantes na natureza por apresentar funções de dispersores de sementes ou como predadores participando nos processos de dinâmica florestal”, explica o presidente da SBPr, Wilson Spironello.

Nova gestão da SBPr

Por ser a Amazônia uma região que apresenta a maior diversidade de primatas e pela necessidade de estimular estudos e programas voltados para a conservação e a formação de recursos humanos, foi sugerido pelos membros da entidade um nome da região Norte para presidir a SBPr para o biênio 2014-2015.

Além de Wilson Spironello (presidente), fazem parte da nova diretoria a professora da Universidade Federal de Rondônia, Mariluce Messias (vice-presidente); o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Marcelo Gordo, e a doutoranda do Inpa, Cristiane Rangel, ambos tesoureiros; e Fernanda P. Paim e Felipe Ennes como secretários. Os dois últimos são do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

A nova gestão da SBPr realizará em Manaus o XVI Congresso Brasileiro de Primatologia, que deverá acontecer em agosto de 2015. Para o novo presidente, entre os desafios a serem superados pela entidade está o de tentar dar mais visibilidade às pesquisas na área de primatas e trabalhar no sentido de envolver a sociedade nas questões de conservação. “O quadro é bastante preocupante, mas nem por isso vamos recuar no desafio de trabalhar em prol do conhecimento e na preservação das espécies”, diz Spironello.

O novo presidente da SBPr ressalta que o Brasil possui a mais rica fauna de primatas do planeta em diversidade de espécies. Só no Brasil, são reconhecidas 139 espécies, sendo 111 somente na Amazônia, cujo número deve aumentar com o avanço de análises genéticas e com a intensificação de levantamentos em áreas pouco ou nunca inventariadas. Ele explica que desse total, 36 estão sob ameaças, de acordo com os estudos do ICMBio.

Saiba Mais

Wilson Roberto Spironello, 59 anos, é graduado em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutor em Biology - University of Cambridge. Atualmente, é pesquisador-titular do Inpa, atuando principalmente nos seguintes temas: conservação e manejo; nas áreas de ecologia de interações, com enfoque em espécies arbóreas de interesse comercial; e de ecologia e monitoramento populacional de mamíferos de médio e grande porte.

 Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Brasil assina acordo de Paris sobre mudança do clima
A cerimônia reuniu mais de 130 chefes de Estado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas
Mais de 80% das áreas rurais já foram registradas
O Ministério do Meio Ambiente apresentou, nesta sexta-feira (6), um balanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Crise Hídrica: governo vai financiar recuperação de nascentes de rios
Serão R$ 45 milhões para criar até 30 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em assentamento da reforma agrária próximos a 18 regiões metropolitanas do País
A cerimônia reuniu mais de 130 chefes de Estado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas
Brasil assina acordo de Paris sobre mudança do clima
O Ministério do Meio Ambiente apresentou, nesta sexta-feira (6), um balanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Mais de 80% das áreas rurais já foram registradas
Serão R$ 45 milhões para criar até 30 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em assentamento da reforma agrária próximos a 18 regiões metropolitanas do País
Crise Hídrica: governo vai financiar recuperação de nascentes de rios

Últimas imagens

Vista da RPPN Raso do Mandi II, em Santa Catarina
Vista da RPPN Raso do Mandi II, em Santa Catarina
ICMBio/Germano Woehl Junior
Medidas permitiu reduzir em 12,5% a relação entre a quantidade de água consumida e o volume de petróleo processado
Medidas permitiu reduzir em 12,5% a relação entre a quantidade de água consumida e o volume de petróleo processado
Divulgação/Petrobras
Relatório da Unesco recomenda que cada país promova políticas para alcançar equilíbrio entre os setores da economia e a sustentabilidade dos recursos hídricos
Relatório da Unesco recomenda que cada país promova políticas para alcançar equilíbrio entre os setores da economia e a sustentabilidade dos recursos hídricos
Divulgação/Governo de São Paulo
Após reabilitação, quatro peixes-boi são devolvidos aos rios da Amazônia
Após reabilitação, quatro peixes-boi são devolvidos aos rios da Amazônia
Foto: Cláudio Sampaio/ICMBio
Após a apreensão, todos os animais foram devolvidos com vida ao rio Branco
Após a apreensão, todos os animais foram devolvidos com vida ao rio Branco
Divulgação/ICMBio

Governo digital