Meio Ambiente
Pesquisadores monitoram reprodução de quelônios
Amazônia
O início da redução do volume das águas na Reserva Mamirauá marca um período de intenso trabalho para acompanhar a reprodução de três espécies de quelônios da Amazônia que aproveitam as praias às margens dos rios e canais para fazer ninhos.
São monitoradas as espécies iaçá (Podocnemis sextuberculata), tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa). Pesquisadores do Instituto Mamirauá e moradores de comunidades da reserva percorrem as praias em busca das fêmeas. Cada animal passa por medições biométricas, pesagem e marcação. "O mesmo acontece para o ninho: marcamos o ninho da respectiva fêmea, contamos o número de ovos, o tamanho deles e a profundidade do ninho", conta a pesquisadora Ana Júlia Lenz.
Os pontos de GPS do ninho são marcados e acompanhados durante toda a temporada de reprodução até a época do nascimento. "Nesse momento colocamos uma tela para capturar os filhotes, fazemos também a biometria e a marcação deles, para depois soltá-los", conta Lenz. Os comunitários também fazem um trabalho de proteção de algumas praias. "Eles monitoram e também registram o número de ninhos e colocam uma bandeira para demarcar que aquela praia é protegida."
Segundo organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o trabalho é possível relacionar o tamanho da fêmea com o tamanho dos ovos, o tamanho da fêmea com o tamanho dos filhotes, o sucesso de eclosão, quantidade de ovos férteis, e os índices de mortalidade dos filhotes.
Conservação dos quelônios
De 18 a 22 de agosto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promoveram, em Brasília (DF), uma reunião para a elaboração do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Quelônios Amazônicos. Foram estabelecidas, segundo a pesquisadora Ana Júlia Lenz, ações para cada entidade desenvolver para a conservação dos quelônios em um prazo de cinco anos.
O Instituto Mamirauá desenvolverá ações voltadas para a pesquisa sobre quelônios, a partir de metodologias comuns para toda a Amazônia. "A ideia é gerar dados comparáveis em um panorama mais amplo. Um dos problemas para a conservação destas espécies é que ainda faltam muitas informações biológicas e ecológicas. Daremos continuidade a um trabalho que já realizamos, colaborando com a pesquisa", conclui a pesquisadora.
Instituto Mamirauá
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) foi criado em abril de 1999. É uma organização social fomentada e supervisionada pelo MCTI, atuando como uma das unidades de pesquisa da instituiçãoo. Seu primeiro diretor geral foi o primatólogo José Márcio Ayres.
Desde o início, o Instituto Mamirauá desenvolve suas atividades por meio de programas de pesquisa, manejo e assessoria técnica nas áreas das Reservas Mamirauá e Amanã, na região do Médio Solimões, estado do Amazonas. Juntas, estas reservas somam uma área de 3.474.000 ha. Por intermédio de convênios com o governo do Estado do Amazonas, a organização apoia a gestão destas reservas.
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