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Meio Ambiente

Alertas de desmatamento tiveram aumento de 9% na Amazônia Legal

Florestas

Pará é o estado mais prejudicado. Operação na última semana desarticulou quadrilha que desmatava terras públicas
por Portal Brasil publicado: 01/09/2014 11h38 última modificação: 01/09/2014 11h38
Divulgação/Ministério do Meio Ambiente Sistema do Inpe registra, em tempo real, as áreas possivelmente desmatadas ou degradadas no bioma

Sistema do Inpe registra, em tempo real, as áreas possivelmente desmatadas ou degradadas no bioma

A área dos alertas de desmatamento na Amazônia Legal aumentou 9% entre julho de 2013 a agosto de 2014. Os dados são do Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registra, em tempo real, as áreas possivelmente desmatadas ou degradadas no bioma e serve para orientar as ações de fiscalização.

Na análise, o estado do Pará é o que tem a maior área de alertas. A região do município de Novo Progresso, às margens BR-163, responde por 20% das detecções em toda a Amazônia Legal e 63% no estado. Rondônia e Amazonas também registraram aumento nos alertas. No Mato Grosso, houve queda de 17%.

O Deter detecta áreas maiores que 25 hectares, mas sem diferenciar áreas onde a supressão da vegetação é autorizada pelo governo ou ilegal. O sistema não se destina a medir as taxas de desmatamento, o que é feito pelo Prodes anualmente.

Diminuição nos próximos meses

O diretor do Departamento de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo avaliou que a expectativa é que em setembro os alertas caiam. “Eles (os desmatadores) agora não terão acesso ao dinheiro que financia o desmatamento. Quem estiver derrubando a floresta vai interromper o corte porque não terá como receber pelo trabalho ilegal", disse.

Combate e prisão

Polícia Federal, Ibama, Ministério Público e Receita realizaram na última quinta-feira (28) a Operação Castanheira, no município de Novo Progresso (PA) desarticulando uma quadrilha que desmatava em assentamentos, terras indígenas e em duas florestas nacionais para lotear e vender terras públicas. Oito integrantes da organização criminosa foram detidos em três estados, bens e contas bancárias bloqueadas e seis ainda estão foragidos.

O diretor do Departamento de Proteção Ambiental do Ibama explicou que já foram realizadas outras ações contra os desmatadores, mas eles se reorganizavam e voltavam a desmatar.

Segundo a Polícia Federal, os prejuízos para a União chegam a R$ 500 milhões. Os presos vão responder por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, invasão de terras públicas e falsificação e podem pegar até 50 anos de prisão. O trabalho de investigação que desmontou a espinha dorsal da organização criminosa começou em março e teve seu desfecho esta semana, mas o Ibama manterá a fiscalização rigorosa em Novo Progresso.

Sistema de alerta

Realizado pela Coordenação de Observação da Terra do Inpe, o Deter é um serviço de alerta de desmatamento e degradação florestal na Amazônia Legal baseado em dados de satélite de alta frequência de revisita.

Os alertas produzidos pelo Deter servem para orientar a fiscalização e garantir ações eficazes de controle da derrubada da floresta. Embora sejam divulgados relatórios que reúnem dados de um ou mais meses, os resultados do  são enviados quase diariamente ao Ibama.

O sistema utiliza imagens do sensor Modis do satélite Terra, com resolução espacial de 250 metros, que possibilitam detectar polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares. Nem todos os desmatamentos são identificados devido à ocorrência de cobertura de nuvens.

Os números apontados pelo Deter são importantes indicadores para os órgãos de controle e fiscalização. No entanto, para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o Inpe utiliza o Prodes (www.obt.inpe.br/prodes), que trabalha com imagens de melhor resolução espacial capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos.

A cada divulgação sobre o sistema de alerta Deter o Inpe apresenta ainda um relatório de avaliação amostral dos dados. Os relatórios, assim como todos os dados relativos ao Deter, podem ser consultados em www.obt.inpe.br/deter.

Fontes:
Ministério do Meio Ambiente
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

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