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Meio Ambiente

Reserva Extrativista Chico Mendes é modelo de sustentabilidade

Conservação

Desde 2012, gestão compartilhada da Resex reúne as ações de instituições governamentais e não-governamentais
por Portal Brasil publicado: 07/10/2014 14h30 última modificação: 07/10/2014 14h30
Divulgação/ICMBio Vivem na Reserva Chico Mendes cerca de 10 mil pessoas que tiram seu sustento da coleta de produtos florestais

Vivem na Reserva Chico Mendes cerca de 10 mil pessoas que tiram seu sustento da coleta de produtos florestais

Em 1988, aos 44 anos, Chico Mendes, seringueiro e sindicalista, foi assassinado no Acre a mando do fazendeiro Darly Alves. O motivo do crime foi a atuação de Mendes na defesa do Seringal Cachoeira que Alves desejava destruir. Chico Mendes não foi o único a ser morto porque defendia a Amazônia, mas se tornou um símbolo da luta social e da defesa ecológica.

Dois anos depois do crime, o sindicalista foi homenageado com a criação da Reserva Extrativista Chico Mendes, com mais de 930 mil hectares abrangendo os municípios de Rio Branco, Capixaba, Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia, Xapuri e Sena Madureira, todos no Acre. Destinada à exploração autossustentável e conservação dos recursos naturais renováveis, por populações tradicionais, a Reserva Extrativista torna possível o desenvolvimento sustentável.

A Reserva Chico Mendes é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que decide as ações a serem desenvolvidas em conjunto com os extrativistas. Nos 46 seringais da reserva, atuam três associações que têm concessões para exploração de recursos naturais e as famílias moradoras se comprometem a não realizar atividades predatórias que descaracterizem os recursos naturais disponíveis.

"A criação da reserva fez com quem políticas públicas específicas para o extrativismo fossem criadas. É necessário desmistificar a figura do seringueiro com uma roupa rasgada, poronga na cabeça a coletar o látex. Hoje, muitos andam de moto e suas casas possuem o mesmo conforto de uma casa urbana, geladeira, fogão a gás, televisão", explica a chefe da Reserva Extrativista Chico Mendes, Silvana Lessa. "Este é o legado de Chico Mendes. Segundo seus companheiros, Chico Mendes alertava que a criação da reserva não era o fim da história. A luta continuava para manter a floresta conservada", conclui Lessa.

Vivem na Unidade de Conservação cerca de 10 mil pessoas que tiram seu sustento da coleta de produtos florestais, da pequena agricultura de subsistência e da pecuária em pequena escala. Vida digna para o homem que vive na floresta amazônica aliada à conservação dos recursos naturais.

Desde 2012, a gestão compartilhada da Resex reúne as ações de diversas instituições, governamentais e não-governamentais, responsáveis pelas políticas públicas socioambientais, reunidas em uma central de gerenciamento. As ações propostas são validadas e monitoradas pelo Conselho Deliberativo da Reserva. Foi o primeiro plano brasileiro de gestão compartilhada envolvendo um governo de Estado e o ICMBio, uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pela administração das UCs federais em todo território nacional.

Manejo sustentável

Visando o desenvolvimento socioeconômico, dentro de critérios sustentáveis, várias ações foram implementadas na Reserva através de parcerias, entre elas, a fábrica de camisinhas Natex, a indústria de beneficiamento de castanha, o manejo madeireiro comunitário e a construção de açudes na reserva. Além de complementar a renda, a produção de peixes garante a segurança alimentar, reintroduzindo o peixe no cardápio de muitas famílias.

Para fortalecer as atividades extrativistas na Reserva Extrativista Chico Mendes, o ICMBio, em parceria com o Incra e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), iniciou a implementação da primeira experiência de oferta do serviço de Assistência Técnica voltada para o Extrativismo  (Ater-Extrativista).

O objetivo é qualificar as atividades de manejo, beneficiamento e comercialização de produtos extrativistas através da organização social, da capacitação e assessoria técnica e da estruturação e ampliação das cadeias produtivas dos produtos da floresta. Os serviços oferecidos pelo primeiro contrato de ATER-Extrativista tiveram início no final de 2013 e terão duração mínima de 30 meses.

A viabilidade deste modelo pode ser verificada pelo fato de que as atividades produtivas não colocam em risco a natureza, tão prezada pelas comunidades da região. A reserva se mantêm firme aos objetivos propostos: o desmatamento acumulado não ultrapassa 7%, índice baixo em comparação com os demais dados de desmatamento na Amazônia. Porém, é indispensável que se garanta a implementação dos instrumentos de gestão e o apoio às atividades extrativistas, através da promoção do manejo sustentável dos recursos naturais e valorização dos produtos do extrativismo.

Fonte:
ICMBio 

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