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Meio Ambiente

Efeito da temperatura nos ninhos de quelônios é analisado

Amazonas

Estudos geram informações para estratégias de conservação, atualmente focadas em proteger as áreas de reprodução
por Portal Brasil publicado: 19/01/2015 14h14 última modificação: 19/01/2015 17h41
Divulgação/Instituto Mamirauá e Governo de Goiás Instituto Mamirauá realiza pesquisa com foco em ecologia e biologia reprodutiva da iaçá

Instituto Mamirauá realiza pesquisa com foco em ecologia e biologia reprodutiva da iaçá

Assim como acontece com outros tipos de répteis, a temperatura de incubação em ninhos de quelônios influencia algumas características dos filhotes e o sucesso da eclosão dos ovos. Para analisar detalhes sobre essa relação é que o Instituto Mamirauá realiza pesquisa com foco em ecologia e biologia reprodutiva de iaçás (Podocnemis sextuberculata).

Desde 2009 são coletados dados, na Reserva Mamirauá, no Amazonas, como a relação entre fêmeas e filhotes, a seleção do local de nidificação pelas fêmeas, a influência do local escolhido no sucesso de eclosão e características dos filhotes (medição e pesagem).

"Também queremos investigar se a iaçá desova mais de uma vez em uma mesma temporada. Isso já foi comprovado para outras espécies de quelônios, principalmente tartarugas marinhas. Mas ainda não há registro para iaçá", afirma a pesquisadora Cássia Camillo, colaboradora do Programa de Pesquisas em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá e professora da Universidade do Estado do Amazonas.

O objetivo desses estudos é gerar informações que possam direcionar as estratégias de conservação, atualmente muito focadas em proteger as áreas de reprodução. "Essas informações podem indicar praias que deveriam ser priorizadas para proteção. No entanto, sabemos que só isso não é o suficiente. É preciso proteger áreas de alimentação e o percurso entre essas áreas e as de nidificação", reforça.

A pesquisadora explica que também é estudada a relação entre a temperatura de incubação e o sexo dos filhotes.

Nessa fase, ainda não há, para a espécie em questão, uma estratégia validada para a confirmação do sexo, além da análise de gônadas post-mortem.

"Vamos testar dois métodos para identificação do sexo dos filhotes: a dosagem hormonal e a morfologia do casco", conta Cássia. "Para outras espécies, como a tartaruga-da-amazônia [Podocnemis expansa], já foi verificado que alguns detalhes das características do casco dos filhotes podem indicar o sexo. Assim, queremos estabelecer também para a iaçá um padrão de identificação para machos e fêmeas viável também em campo."

Pesquisa

O estudo foi realizado com 100 ovos da espécie coletados em praias do rio Solimões, localizadas no setor Horizonte da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no município de Uarini-AM.

Os ovos foram incubados em condições de temperatura e umidade controladas. Após a eclosão dos filhotes, foram mantidos em vermiculita úmida em temperatura ambiente até o oitavo dia de vida e, em sequência, mantidos em cativeiro para monitoramento e avaliação do crescimento e sobrevivência.

“Os resultados corroboram informações levantadas para outras espécies de quelônios, indicando que existe uma faixa de temperatura em que o sucesso de eclosão é máximo e os filhotes apresentam características que lhes propiciam maior chance de sobrevivência”, reforçou a pesquisadora.

Fontes:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Instituto Mamirauá 

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