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Meio Ambiente

Projeto recupera biodiversidade em mananciais hídricos do cerrado

Gestão ambiental

Embrapa assina acordo de cooperação com Instituto Ipoema e se une ao projeto "Águas do Cerrado – O futuro em nossas mãos"
por Portal Brasil publicado: 12/02/2015 12h19 última modificação: 12/02/2015 19h25

A chamada "Restauração Ecológica" é uma das áreas de atuação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, cujo objetivo final é recuperar as funções ecológicas de um ecossistema ou de uma paisagem.

Esta é a meta do projeto "Águas do Cerrado – O futuro em nossas mãos", desenvolvido pelo Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente (Ipoema) com apoio financeiro da Petrobras e, agora, cooperação técnica da Embrapa.

O projeto envolve ações de revegetação de áreas associadas a cursos d'água e a promoção do uso racional dos recursos hídricos. O contrato de cooperação com a Embrapa, formalizado no dia 28 de janeiro de 2015 e com duração de 17 meses, prevê a realização de monitoramento dos processos e dos impactos associados às ações de recuperação de áreas degradadas.

Águas do Cerrado

Lançado em abril de 2014 e com estimativa de duração de dois anos, o projeto "Águas do Cerrado" prevê o plantio de 170 mil mudas de árvores nativas do em 76 propriedades rurais localizadas na área da Bacia Hidrográfica do Rio São Bartolomeu, na Estação Ecológica do Jardim Botânico e em Áreas de Proteção de Manancial da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Ao final, a estimativa é recuperar uma área de aproximadamente 90 hectares.

De acordo com Daniel Luís Mascia Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a Embrapa está em busca do desenvolvimento de técnicas para tornar a restauração ecológica mais eficaz e barata.

"Atualmente, os métodos de restauração ainda são muito caros e nem sempre são eficazes. Então o nosso objetivo é acompanhar de perto o projeto e determinar que fatores influenciam o sucesso da restauração ecológica, do ponto de vista dos ganhos na restauração dos recursos biológicos. Ao final, pretendemos gerar recomendações que poderão resultar no aprimoramento das técnicas de restauração ecológica, atualmente adotadas em diversas pesquisas", explica o representante da Embrapa no projeto "Águas do Cerrado", explica Vieira.

Com o início dos trabalhos da Embrapa, o pesquisador Daniel Vieira já está orientando um aluno de mestrado em Ciências Florestais e dois de graduação em Ciências Ambientais que estão realizando pesquisa de campo.

A Pesquisa consiste em recolher dados sobre o sucesso da restauração, informações relativas às atividades de plantio e manejo e sobre o envolvimento dos proprietários com as atividades de restauração, para recomendar melhorias ao programa estabelecido pelo projeto "Águas do Cerrado" e outros programas de restauração em larga escala. De acordo com Daniel, são muitos e complexos os fatores a serem analisados.

Ele cita alguns, como a resiliência do local, a forma como foi feito o plantio, o método de manutenção, e a própria aceitação do projeto pelos proprietários/agricultores locais. Os resultados finais do monitoramento serão disponibilizados à equipe do projeto.

Segundo Daniel, para a área ser considerada restaurada serão utilizados os parâmetros estabelecidos na legislação brasileira sob o ponto de vista da produção e da preservação.

"O Código Florestal, por exemplo, prevê um período de até 20 anos para determinar o estágio final de um projeto de restauração ecológica. Já a legislação de São Paulo, que tem um sistema de monitoramento similar ao que estamos adotando no projeto, diz que se a área tiver mais de 80% de copa de árvores e mais de três mil plântulas ou arvoretas por hectare de mais de 30 espécies nativas, já se pode considerar que a área está restaurada", explica o pesquisador.

Ele ressalta ainda que é possível conciliar áreas de reserva legal com produção agropecuária, os chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs), que integram espécies florestais a culturas alimentares. "O crescimento das espécies nativas do cerrado é lento, então o plantio consorciado permite que o produtor não gaste muito com manutenção do plantio e tenha retorno econômico", diz.

O projeto é novo, mas o assunto já é bastante familiar ao pesquisador Daniel Vieira, que em novembro do ano passado lançou, juntamente com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e a WWF Brasil, o livro "Agricultores que cultivam árvores no cerrado". A publicação conta as experiências de dezenas de agricultores no plantio de recursos genéticos nativos do Cerrado para reflorestar áreas desmatadas. Daniel acredita que a valorização do conhecimento tradicional dos proprietários das terras onde será feito o plantio de árvores é um dos fatores determinantes a serem considerados para o sucesso do projeto. "Acredito que entre os diversos fatores que interferem no sucesso da restauração ecológica está a satisfação dos financiadores, clientes, técnicos, pesquisadores e educandos", conclui.

Vertente educacional

Paralelamente à recuperação de áreas degradadas, o projeto "Águas do Cerrado" possui uma forte vertente educacional. É que se antes a questão da restauração florestal não estava tão associada à preservação dos mananciais hídricos, no atual momento, em que a chamada "crise hídrica" é pauta diária dos meios de comunicação, a educação para o uso racional da água e uso sustentável do solo possui igual importância dentro no projeto. Para tanto, serão executadas ações educativas em escolas públicas nas comunidades atendidas e ainda ações de capacitação, mobilização social e formação de redes de relacionamento e trabalho.

Entre as metas e impactos do projeto, destacam-se alguns números: implantação de viveiro para produção de 4 mil mudas, jardim agroflorestal e minhocário em seis escolas públicas do Distrito Federal; sensibilização de 8 mil alunos; oferta de 540 vagas em cursos; capacitação de 30 professores e 16 membros da comunidade da bacia do São Bartolomeu; formação de 30 jovens empreendedores; e construção do Centro de Referência de Águas do Cerrado, que terá sala de aula, refeitório e parquinho ecológico. O projeto prevê ainda auxilio na elaboração de anteprojeto de lei para a preservação de recursos hídricos no Distrito Federal.

Fonte:
Embrapa

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