Você está aqui: Página Inicial > Meio Ambiente > 2015 > 04 > Países dividem experiências sobre escassez de água

Meio Ambiente

Países dividem experiências sobre escassez de água

Recursos Hídricos

Nove nações apresentam mosaico de soluções para crise hídrica durante Seminário Internacional Gestão da Água em Situações de Escassez
por Portal Brasil última modificação: 27/04/2015 19h06

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) realizou na última semana o Seminário Internacional Gestão da Água em Situações de Escassez, que debateu em São Paulo (SP), temas:  como algumas nações lidam com a crise hídrica na gestão da água.

O encontro alinhou uma diversidade de estratégias internacionais para o enfrentamento da falta d água e foi realizado em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O encontro reuniu especialistas e agentes públicos de todo o Brasil para conhecer as experiências de nove nações convidadas sobre o combate à escassez de água. Aberto na quinta-feira (23), pela ministra Izabella Teixeira, que, em seu discurso, pediu uma política nacional para o reúso da água.

Secretario de Recursos Hídricos e Ambientes Urbanos do MMA, Ney Maranhão fez um balanço do encontro exaltando como as diferentes culturas e grupos sociais se ajustaram às condições naturais impostas por meio de diferentes estratégias de sobrevivência e de adaptação.

“Não existe uma solução única e isolada. Aprendemos que cada gota conta e, contando cada gota, é preciso fazer uma gestão obsessiva com relação aos recursos hídricos.”

Austrália mede cada gota água

Nos anos 1980, a superação da seca na Austrália ocorreu com a construção de represas e a mudança no padrão produtivo da economia. Uma década depois, a resposta à nova situação de seca veio com a reestruturação da indústria e a regulamentação e aperfeiçoamento das instituições, o que resultou na reforma da política de recursos hídricos.

"Uma lição aprendida é que, para fazer gestão, é necessário medir cada gota de água", destacou David Downie, acadêmico australiano que relatou a experiência daquele país.

Cingapura busca fontes alternativas

Cingapura é um país pequeno, que não tem território para armazenar água. A demanda de água é de 400 milhões de galões. Considerando o histórico de pouca chuva dos últimos 50 anos, houve a necessidade de desenvolver fontes alternativas de oferta de água: água reutilizada ou nova água, água importada da Malásia, represas para água da chuva, e dessalinização.

O país conta com 100% de abastecimento de água potável e 100% de saneamento, com instalações modernas que não poluem as fontes hídricas. A gestão da água é realizada de forma integrada.

Em relação ao consumo da água nova pela população (água reutilizada), houve a necessidade de fazer as pessoas compreenderem que a água estava adequada para beber. O país conta com planta dessalinizadora, instalada em 2013, que responde por 25% do abastecimento. Pelo lado do gerenciamento da oferta, o lema é “água para todos”. Pelo lado do gerenciamento da demanda, o lema é “conserve, valorize, aproveite”.

China aposta no armazenamento

A maioria das secas na China aconteceu nos últimos 20 anos. A seca intensa de 2009 a 2011 impactou na economia do país com um custo médio de 16,2 milhões de toneladas de alimentos, escassez de 40 bilhões de metros cúbicos de água e perda de 152,6 bilhões de yuans, o equivalente a 1,7% do PIB anual.

A China conta com 87 mil reservatórios. Os projetos de armazenamento de água são desenvolvidos em regiões, onde há alta precipitação pluvial. As medidas não estruturais adotadas pela China estão relacionadas à política e à regulamentação, além do estabelecimento de padrões técnicos para classificação da severidade das secas.

Espanha tem plano de alerta à seca

Alguns princípios gerais da gestão da água na Espanha são a unidade de bacia hidrográfica, o planejamento de longo prazo (revisto a cada seis anos) e a gestão integrada, levando em conta os componentes social, econômico e ambiental. O país desenvolveu um plano especial de alerta à seca.

Entre 2001 e 2010, foi estabelecido um plano para o sistema geral de regeneração e reutilização de águas residuais urbanas da região de Murcia, que é o maior projeto de reutilização do mundo, premiado internacionalmente. O país conta com 50 grandes depuradoras.

Estados Unidos pensam no futuro

A palestra teve como foco o estado da Califórnia, onde há mais água no Norte do que no Sul. Há dependência da água das montanhas (neve) e da chuva. As grandes secas do estado aconteceram entre 1976 e 1977; 1987 e 1992; 2012 e 2015. A seca mudou a visão do sistema de abastecimento. O primeiro passo para reverter a situação foi implantar o racionamento de água em 25%, com pagamento adicional de uso excessivo.

O racionamento foi significativo, apesar da resistência inicial da população, atingindo um consumo "per capta" de 185 litros/ habitante dia (com as perdas). Mesmo após a passagem do período de seca, as restrições foram mantidas.

Israel adota tarifa para escassez

 A questão hídrica em Israel não pode ser tratada como uma crise, mas uma realidade. Trata-se de um desafio da água. Israel possui recursos naturais escassos, mas se vale de outros recursos como a cultura, a inovação e o empreendedorismo. O país tem 45% de escassez de água.

Em Israel, a Lei da Água é de 1959 e estabelece, entre outras questões, que o dono da terra não é o dono da água, a precificação da água (preço real para um bem escasso) e o valor arrecadado são aplicados na melhoria da infraestrutura hídrica e rede de abastecimento. As tecnologias desenvolvidas são para o tratamento e reúso, a gestão inteligente, a dessalinização e a irrigação inteligente.

Japão educou a população para crise

No Japão, a seca é um problema social. É utilizado um “Manual geral sobre medidas contra a seca”, dividido em três partes: informações gerais, ações preventivas e ações durante a seca. A seca fez o país economizar água, reduzir a pressão de suprimento e estabelecer a limitação água/hora.

A seca de 1954 provocou a minimização e economia no consumo de água; a consciência dos recursos hídricos limitados e o entendimento comum entre cidade, política nacional e sociedade. Percebeu-se a necessidade de se alocar os recursos hídricos com sabedoria. Algumas medidas adotadas pelo país foram a gestão da pressão, o controle por medidores, os reparos rápidos nas instalações (detecção e conserto de vazamentos).

Foi estabelecido o “Dia da Economia de Água”, dia 15 de cada mês, em que são feitas campanhas de economia. O Japão adota a reutilização de águas residuais e pluviais e há um programa do governo para a divulgação de tecnologias.

Fonte:

Ministério do Meio Ambiente

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Brasil assina acordo de Paris sobre mudança do clima
A cerimônia reuniu mais de 130 chefes de Estado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas
Mais de 80% das áreas rurais já foram registradas
O Ministério do Meio Ambiente apresentou, nesta sexta-feira (6), um balanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Crise Hídrica: governo vai financiar recuperação de nascentes de rios
Serão R$ 45 milhões para criar até 30 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em assentamento da reforma agrária próximos a 18 regiões metropolitanas do País
A cerimônia reuniu mais de 130 chefes de Estado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas
Brasil assina acordo de Paris sobre mudança do clima
O Ministério do Meio Ambiente apresentou, nesta sexta-feira (6), um balanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Mais de 80% das áreas rurais já foram registradas
Serão R$ 45 milhões para criar até 30 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em assentamento da reforma agrária próximos a 18 regiões metropolitanas do País
Crise Hídrica: governo vai financiar recuperação de nascentes de rios

Últimas imagens

Vista da RPPN Raso do Mandi II, em Santa Catarina
Vista da RPPN Raso do Mandi II, em Santa Catarina
ICMBio/Germano Woehl Junior
Medidas permitiu reduzir em 12,5% a relação entre a quantidade de água consumida e o volume de petróleo processado
Medidas permitiu reduzir em 12,5% a relação entre a quantidade de água consumida e o volume de petróleo processado
Divulgação/Petrobras
Relatório da Unesco recomenda que cada país promova políticas para alcançar equilíbrio entre os setores da economia e a sustentabilidade dos recursos hídricos
Relatório da Unesco recomenda que cada país promova políticas para alcançar equilíbrio entre os setores da economia e a sustentabilidade dos recursos hídricos
Divulgação/Governo de São Paulo
Após reabilitação, quatro peixes-boi são devolvidos aos rios da Amazônia
Após reabilitação, quatro peixes-boi são devolvidos aos rios da Amazônia
Foto: Cláudio Sampaio/ICMBio
Após a apreensão, todos os animais foram devolvidos com vida ao rio Branco
Após a apreensão, todos os animais foram devolvidos com vida ao rio Branco
Divulgação/ICMBio

Governo digital