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Meio Ambiente

Pesquisa mostra os impactos da seca na Floresta Amazônica

Experimento

Entre 2002 e 2017, pesquisadores simularam períodos de seca prolongada na Floresta de Caxiuanã, localizada na Amazônia Legal
publicado: 16/05/2017 17h24 última modificação: 18/05/2017 15h21

Redução da produção de biomassa, diminuição da riqueza e da densidade de samambaias e queda de 30% da taxa de fluxo de seiva bruta. Esses são os principais impactos da seca na Floresta Amazônica, fenômeno causado pelas mudanças climáticas, segundo um estudo desenvolvido durante 15 anos por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, no Estudo da Seca da Floresta (Esecaflor).

Entre 2002 e 2017, os pesquisadores Antônio Lola e Leandro Valle simularam períodos de seca prolongada na Floresta Nacional de Caxiuanã, a mais antiga da Amazônia Legal e a segunda mais antiga do Brasil, a 400 quilômetros de Belém (PA). O experimento foi feito em duas parcelas de 10 mil metros quadrados, sendo que, em uma delas, cerca de 50% da água da chuva foi eliminada do solo. Essas áreas foram delimitadas por trincheiras cavadas com profundidades variando de 50 a 150 centímetros.

A parcela A foi usada como testemunha para os experimentos realizados na parcela B, de onde foi retirada parte da água da chuva. Isso foi feito com a construção de uma estrutura composta por, aproximadamente, 6 mil painéis plásticos, distribuídos a uma altura de até 3,5 metros acima do solo. Toda água captada foi transportada por meio de calhas para uma trincheira que a exclui por gravidade. As duas áreas controladas (uma com e outra sem cobertura artificial) criaram as condições para o desenvolvimento da pesquisa.

No período, uma série de informações foi coletada. Os resultados apontam significativa redução da umidade do solo e da produção de biomassa; diminuição da riqueza e da densidade de indivíduos de pteridófitas (grupos de vegetais compostos por raiz, caule e folhas, como a samambaia) e queda de 30% da taxa de fluxo de seiva bruta e elaborada.

"A nossa meta principal é o entendimento do ciclo de carbono nas florestas tropicais, do balanço de biomassa aérea e subterrânea e da vulnerabilidade das florestas tropicais, além da compreensão da interação da floresta com todas as variáveis meteorológicas", explica Lola

"Em termos gerais, podemos concluir que as florestas tropicais, apesar de sua exuberância, são extremamente vulneráveis às alterações ambientais, principalmente as relacionadas ao estresse hídrico do solo. Essa vulnerabilidade poderá causar, num futuro próximo, alterações profundas na sua estrutura e composição",  conclui. 

Os resultados do Esecaflor estão sendo utilizados em modelos de estudos de anomalias climáticas em escala global, como o El Niño, e também nos modelos de simulação do impacto do desmatamento da Amazônia.

Fonte: Portal Brasil, com informações do MCTIC

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