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Brasil e Japão terão cooperação em desastres naturais e modernização de empresas

08/01/2013 14:46 - Portal Brasil

Objetivo da cooperação é avaliar e reduzir riscos de desastres naturais no País


Com o objetivo de fortalecer a Estratégia Nacional em Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais, está sendo alinhavado, pelo Brasil e pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), um projeto que visa melhorar a capacidade brasileira de avaliar e reduzir riscos, aperfeiçoar o monitoramento e conduzir pesquisa e desenvolvimento (P&D) sobre desastres naturais. As possíveis cooperações na área foram discutidas nessa segunda-feira (7) pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e pelo presidente da Jica, Akihiko Tanaka.

Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro Cooperação quer melhorar a capacidade brasileira de avaliar e reduzir riscos de desastres naturais Ampliar
  • Cooperação quer melhorar a capacidade brasileira de avaliar e reduzir riscos de desastres naturais

Questões como a possibilidade de criação de um sistema de observação da terra voltado para os desastres naturais, além do intercâmbio entre estudantes e pesquisadores por meio do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), e de oportunidade de estágio em empresas para bolsistas fizeram parte das discussões. “Esse programa vai até 2015 e é um instrumento que podemos utilizar na nossa cooperação, tanto para enviar esses estudantes como para realizar intercâmbio entre especialistas de alto nível”, frisou Raupp.

O presidente da agência japonesa, Akihiko, informou que a área de desastres naturais e a cooperação com o Brasil são consideradas prioridades para o governo japonês e reforçou a intenção em ampliar a relação com o Brasil nesse campo. 

Participaram do encontro o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do ministério, Carlos Nobre; a chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais da pasta, embaixadora Carmem Moura; o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho; o diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Agostinho Ogura; o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério de Relações Exteriores, Ademar Seabra; e o embaixador do Japão no Brasil, Akira Miwa, entre outros.

 

Modelo

A histórica relação do País com a Jica na área de mudanças do clima, estudos em florestas tropicais e, recentemente, em desastres naturais foi destacada pelo secretário Carlos Nobre. A própria criação do Cemaden segue modelo implantado pelo Japão ao adotar uma estrutura técnico-científica à parte e de suporte ao sistema de defesa civil.

“Atualmente, o Cemaden conta com 100 funcionários e 30 doutores e cientistas”, informou Nobre ao destacar o esforço do governo brasileiro, que desenvolveu programas e ações específicas para a área, e a nova percepção da sociedade sobre a vulnerabilidade do País, diante da seca e das chuvas - especialmente, após a maior tragédia natural, ocorrida há dois anos, na região serrana do Rio de Janeiro, que resultou na morte de mais de 900 pessoas.

A trajetória do Cemaden, que foi criado por decreto presidencial em julho de 2011 e passou a operar 24 horas por dia, monitorando 56 municípios em áreas de risco, em dezembro, foi lembrada por Agostinho Ogura. “Foi um recorde técnico-científico”, avaliou Ogura, que também ressaltou o interesse em firmar parcerias com instituições de outros países.

O Japão é um país de referência na gestão de risco de desastres naturais, onde está montada uma estrutura de obras de proteção, prevenção, redução de riscos, monitoramento e alertas em função da ocorrência em seu território dos principais desastres naturais - tanto de natureza geológica (como terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas) quanto de natureza meteorológica (chuvas torrenciais, deslizamentos e enxurradas).

“Essa cultura japonesa é milenar. É um país consolidado sob o ponto de vista de como lidar com os desastres, tanto na área técnico-científica e no entendimento dos cenários de risco, quanto na possibilidade de uso de tecnologias e de organização do sistema público para atuar na questão do desastre”, ressaltou Ogura. 

 

Cooperação Brasil-Japão

Em 2008, o governo japonês instituiu o programa Parceria em Pesquisa Científica e Tecnológica para o Desenvolvimento Sustentável, iniciativa de apoio a pesquisas conjuntas de ponta com instituições congêneres de países em desenvolvimento. O Programa de Cooperação Técnica do Japão no Brasil é conduzido pela Jica e tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do País, por meio da transferência de conhecimento e tecnologia japoneses a instituições brasileiras.

Entre as parcerias estão atividades nas áreas de biocombustíveis, produção de soja, estudo sobre a dinâmica do carbono na região amazônica, para o desenvolvimento de tecnologia na área agrícola e para diagnóstico de infecções por fungos em pacientes com Aids e para o estudo de cenários futuros de mudança do clima. O projeto para Fortalecimento da Estratégica Nacional em Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais prevê a parceria, além do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com o Ministério das Cidades e com o Ministério da Interação Nacional.

 

Modernização de empresas

O presidente da Jica também se reuniu com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para discutir o aprofundamento da parceria empresarial entre os dois países. Segundo o ministro Pimentel, o Japão é o principal aliado brasileiro no processo de modernização pelo qual devem passar as empresas nacionais. “A relação dos dois, inclusive na área tecnológica, faz do Japão o principal parceiro para nos ajudar a dar esse salto”, disse.

No próximo mês, uma missão de empresários japoneses virá ao Brasil para discutir possíveis investimentos no País. “As grandes empresas japonesas já estão no Brasil, mas as pequenas e médias, que dão suporte às grandes, no Brasil, têm muito interesse em vir para cá”, disse Tanaka. 

Além disso, está sob avaliação da agência japonesa uma proposta brasileira de treinamento e capacitação de pessoal na área de construção naval.

 

Fonte:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

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