Mulheres já representam 6,34% do efetivo total nas Forças Armadas brasileiras
08/03/2013 12:55 - Portal Brasil
Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff nomeou a primeira oficial-general mulher, a almirante médica Dalva Mendes
- Segundo dados do ministério, elas já são 22.208 militares, ou 6,34% do efetivo total militar (350.304) do País
Nesta sexta-feira (8), em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Ministério da Defesa anuncia que a presença feminina nas Forças Armadas brasileiras é cada vez maior. Segundo dados do ministério, elas já são 22.208 militares, ou 6,34% do efetivo total militar (350.304) do País. A boa notícia é que esse número tende a crescer por causa das mudanças ocorridas no sistema de ingresso nas carreiras militares.
Um bom exemplo deste crescimento foi a recente nomeação, por parte da presidenta Dilma Rousseff, da primeira oficial-general mulher, a almirante médica Dalva Mendes.
Alçada ao posto de contra-almirante, a promoção de Dalva Mendes ocorreu no fim do ano passado. Após a troca de platinas, ela deu os primeiros depoimentos onde destacou o pioneirismo de ser a primeira brasileira a ocupar o generalato.
“Essa alegria que estou tendo agora é difícil de definir. Como disse: este momento é como um casamento, e eu me sinto renovando os votos com a Marinha e com o meu país”, contou naquela ocasião.
Marinha
A participação das mulheres na Marinha do Brasil remonta a 1980, ano em que a legislação permitiu o ingresso feminino na Força. À época, elas integravam um corpo auxiliar e sua participação era restrita a alguns cargos e ao serviço em terra. Entre 1995 e 1996, com a promulgação de novas leis que regulamentaram a carreira militar, o acesso das oficiais mulheres foi estendido aos corpos de saúde e engenharia.
Em 1997, com o advento da Lei nº 9.519, houve a reestruturação dos quadros de oficiais e praças com uma significativa ampliação da participação das mulheres nas atividades da Força Naval. Atualmente, as militares, que no início tinham participação mais restrita, prestam serviços em diversas áreas: engenharia, saúde, intendência, quadro auxiliar da Armada entre outras.
São 5.815 mulheres que fazem parte da Marinha do Brasil. As oficiais que integram as áreas de intendência, engenharia e saúde podem, de acordo com a legislação, alcançar até o posto de vice-almirante.
Exército
Nos próximos anos, mulheres poderão atuar como combatentes. A presidenta Dilma sancionou, em agosto do ano passado, a Lei nº 12.705 que permite o ingresso de militares do sexo feminino em áreas antes restritas aos homens.
De acordo com a nova legislação, o Exército terá um prazo de até cinco anos para fazer adaptações nas estruturas físicas para permitir o ingresso das mulheres no ensino da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), e na Escola de Sargentos das Armas (EsSa), em Três Corações (MG).
Segundo informações da Força Terrestre, as equipes responsáveis por essas mudanças já trabalham na elaboração dos projetos que vão viabilizar alterações nos alojamentos, banheiros e quartéis.
O Exército, que atualmente conta com 6.700 mulheres, recebe, desde a década de 90, profissionais das áreas de administração, saúde e engenharia. A Escola de Formação Complementar do Exército (ESFCEx), localizada em Salvador (BA), formou em 1992 a primeira turma de oficiais. Quatro anos depois, foi instituído o Serviço Militar Feminino Voluntário para médicas, farmacêuticas, dentistas, veterinárias e enfermeiras (MFDV) que ampliou espaço para a atuação feminina. Na sequência, em 1996, o Instituto Militar de Engenharia (IME) recebeu as primeiras mulheres no quadro de engenheiros militares.
A presença das mulheres na Força Terrestre subiu de 3.617 em 2004 para 6.466 em 2012. Desse contingente, sete mulheres podem chegar nos próximos cinco anos ao posto de oficial-general. Atualmente, elas estão em processo de formação na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), no Rio, fase que, após ser cumprida, as deixará em condições de dirigir uma unidade militar. Após essa etapa, elas estarão aptas a disputar espaço no quadro de oficiais superiores.
Força Aérea Brasileira
A FAB foi a primeira das três Forças a abrir espaço para a atuação das mulheres na atividade fim da instituição. Na atualidade, é a que possui o maior número de militares do sexo feminino em seus quadros. Em 2002, elas somavam 3.249; atualmente chegam a 9.927.
Neste ano, a Aeronáutica completa 31 anos do ingresso das primeiras mulheres na FAB. Apesar de estarem presentes nas pistas, hangares e escolas de formação, é dentro de aeronaves que elas escrevem seus nomes na história da aviação brasileira.
O ingresso feminino na academia no Quadro de Oficiais Intendentes foi autorizado em 1995. Oito anos depois, em 2003, a instituição recebeu as primeiras mulheres para o Curso de Formação de Oficiais Aviadores.
Depois 45 anos da criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), receber um diploma da instituição deixou de ser uma condição exclusiva para homens. Em 1996, duas mulheres, pela primeira vez, foram aporvadas no ITA. Naquela época, quatro foram selecionadas, mas somente duas fizeram a matrícula. Elas foram diplomadas no ano 2000. Hoje, o número de mulheres aprovadas no vestibular mais que dobrou, na comparação com o primeiro ano, mas ainda representa apenas 8,3% do total de ingressos.
Nos últimos dez anos, 113 mulheres ingressaram na instituição. O menor número de aprovadas ocorreu em 2011, quando seis concorrentes foram selecionadas. Nos anos de 2005 e 2007, foram registrados os maiores números de aprovações femininas, 16 entraram para os cursos de engenharia. Atualmente, dos 507 alunos do ITA, 466 são homens e 41, mulheres.
Missões de paz
Em dezembro de 2011 o Ministério da Defesa e a ONU Mulheres (Agência da Organização das Nações Unidas para as mulheres) firmaram carta de intenções com o objetivo de ampliar a presença feminina em operações de paz. O documento, o primeiro do gênero a ser firmado pelo organismo internacional, foi assinado pelo ministro Celso Amorim e pela secretária-geral adjunta das Nações Unidas e diretora executiva da agência, Michelle Bachelet.
A carta de intenções, segundo a subsecretária da ONU Mulheres, vai além do reconhecimento do papel brasileiro em missões de paz. “É uma prova da vontade do Ministério da Defesa em ampliar a participação feminina”, concluiu.
Fonte:
Ministério da Defesa
Com informações da Agência Brasil


