Cultura

Vocabulário

Línguas africanas exercem influência direta no português

Transformações ocorridas ao longo dos anos pela língua falada no Brasil e palavras comumente usadas nos dias atuais têm ascendência negra
publicado: 21/11/2014 16h54, última modificação: 22/12/2017 13h01

O português falado no Brasil é resultado de um amplo e complexo processo de transformação ao longo dos anos.

Uma atividade que se desenvolveu, inicialmente, num contexto do Brasil colônia, em que estiveram presentes línguas indígenas e africanas, além de europeias, mas que continuou se transformando ao longo da história, com a presença constante desses povos.

As comemorações e reflexões recentes feitas pelo dia da consciência negra, nessa quinta-feira (20), trazem a oportunidade de entender um pouco mais da influência que as línguas africanas têm no modo de falar do povo brasileiro.

As transformações são consideradas tamanhas que a língua portuguesa praticada no Brasil já é considerada diferente do Português de Portugal.

Na Bahia, por exemplo, são usadas cerca de 5 mil palavras de origem africana. A maior delas, que enriqueceram o vocabulário brasileiro, vêm do quimbundo, língua do povo banto. Na época da escravidão, o quibundo era a língua mais falada nas regiões Norte e Sul do País.

Confira alguns exemplos de palavras de origem banta:

BAGUNÇA – desordem, confusa, baderna, remexido.

BANZÉ – confusão, barulho.

BATUCAR – repetir a mesma coisa insistentemente.

BELELÉU – morrer, sumir, desaparecer.

BERIMBAU – arco-musical, instrumento indispensável na capoeira.

BIBOCA – casa, lugar sujo.

BUNDA – nádegas, traseiro.

CACHAÇA – aguardente que se obtém mediante a fermentação e destilação do mel ou barras do melaço.

CACHIMBO – pipo de fumar.

CAÇULA – o mais novo dos filhos ou irmãos.

CAFOFO – quarto, recanto privado, lugar reservado com coisas velhas e usadas.

CAFUNÉ – ato de coçar, de leve, a cabeça de alguém, dando estalidos com as unhas para provocar o sono. 

CALANGO – lagarto maior que lagartixa.

CAMUNDONGO – ratinho caseiro.

CANDOMBLÉ – local de adoração e de práticas religiosas afro-brasileiras da Bahia.

CANGA – tecido utilizado como saída-de-praia.

CANGAÇO – o gênero de vida do cangaceiro.

CAPANGA – guarda-costas, jagunço.

CAPENGA – manco, coxo.

CARIMBO – selo, sinete, sinal público com que se autenticam os documentos. 

CATINGA – cheiro fétido e desagradável do corpo humano, certos animais e comidas deterioradas.

CHIMPANZÉ – espécie muito conhecida de macaco.

COCHILAR (a ortografia correta deveria ser coxilar) – dormir levemente.

DENDÊ – palmeira ou fruto da palmeira.

DENGUE – choradeira, birra de criança, manha. 

FUNGAR – aspirar fortemente com ruído.

FUZUÊ – algazarra, barulho, confusão.

GANGORRA – balanço de crianças, formado por uma tábua pendurada em duas cordas. 

JILÓ – fruto do jiloeiro, de sabor amargo. 

MACUMBA – denominação genérica para as manifestações religiosas afro-brasileiras.

MANDINGA – bruxaria, ardil, mau-olhado.

MARIMBONDO – vespa.

MAXIXE - fruto do maxixeiro.

MINHOCA – verme anelídeo. 

MOLEQUE – menino, garoto, rapaz.

MOQUECA – guisado de peixe ou de mariscos, podendo também ser feito de galinha, carne, ovos etc.

MUCAMA – criada, escrava de estimação, que ajudava nos serviços domésticos e acompanhava sua senhora à rua, em passeios.

QUIABO – fruto do quiabeiro.

QUILOMBO – povoação de escravos fugidos.

SENZALA – alojamentos que eram destinados aos escravos no Brasil.

SUNGA – calção de criança.

TANGA – tapa-sexo.

TITICA – fezes, coisa sem valor, excremento de aves.

ZABUMBA – bombo.

Fonte:

Portal Brasil, com informações da Empresa Brasil de Comunicação

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