Saúde

Universidade cria site para alertar sobre os riscos do consumo excessivo de álcool

publicado: 07/12/2012 12h43, última modificação: 23/12/2017 10h55
Unifesp lança portal sobre riscos do consumo excessivo de álcool

O consumo exessivo de álcool pode causar cirrose hepática, anemia, hipertensão, câncer de vários tipos, doenças neurológicas e malformações de feto - Foto: Divulgação / Governo de Alagoas

A nova ferramenta possui campanhas de prevenção e tratamento aos que ingerem bebida alcoolica

 

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lançou o primeiro site do País destinado a pessoas que fazem consumo exagerado de bebidas alcoólicas, o Informálcool. A página da internet permite acesso a dados sobre o alcoolismo e à ferramenta Bebermenos, um programa de interação com o internauta que mostra a importância de descobrir cedo o abuso no consumo de álcool e ainda permite a criação de metas para diminuir ou parar com a bebida.

A saúde eletrônica é o uso da tecnologia digital para oferecer serviços como arquivos eletrônicos de pacientes, telemedicina, dados de consumo de medicamentos, equipes de saúde virtuais e dispositivos móveis para coletar e acessar dados do paciente.

A ideia do programa é chamar a atenção dos mais jovens, que usam o computador e as redes sociais com frequência, e que não procuram ajuda profissional por não querer ficar estigmatizados. "Atualmente, temos campanhas de prevenção e projetos de tratamento, mas nada que busque as pessoas nessa faixa intermediária que é a de quem está começando a beber”, disse a chefe do departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, Maria Lucia Formigoni.

O site foi lançado pela com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com pesquisadores de outros 3 países (México, Bielorrússia e Índia), e com duas universidades federais brasileiras (Universidade Federal de Juiz de Fora e Universidade Federal do Paraná).

 

Utilização do portal

Sem precisar se identificar, o usuário de álcool responde a um questionário que vai determinar qual o estágio em que está. Dependendo do resultado, é encaminhado ao programa de auto-ajuda, que tem duração de seis semanas. O programa exige que o próprio usuário responda sobre vantagens e desvantagens de continuar a beber, seus gostos e frequência com que bebe, e apresenta gráficos com esses dados e metas, para que ele diminua ou pare com a bebida. 

“A proposta é que a pessoa entre sempre no site para interagir e ver como está. Também é possível interagir com outros atendidos e trocar experiências por meio de um fórum moderado por um profissional da saúde. Há ainda informações para familiares sobre como lidar com a situação, explicações para os pais sobre como abordarem e orientarem os filhos”, explica  a chefe do departamento de Psicobiologia da Unifesp.

Maria Lucia falou ainda que não é preciso ser médico ou profissional da saúde para utilizar o site e que na Holanda, onde começou a ser usado, foi verificada uma redução de 17% no consumo e um aumento de quatro vezes nas chances de parar definitivamente de beber. “O site se adapta a situações culturais e hábitos de cada país”. O portal está em fase de avaliação e teste, mas a expectativa é que esteja funcionando plenamente no início do ano que vem.

 

Problemas com o álcool

No mundo, "a doença causada pelo álcool" preocupa enormemente os sistemas de saúde, estimando-se o número de dependentes entre 10% e 15% da população mundial. No Estado de São Paulo, por exemplo, pelo menos 1 milhão de pessoas sofrem desse mal. Muitas pessoas têm uma ideia formada do que vem a ser alcoolismo, ficando claro que o ser humano que vive nas ruas, de bar em bar, afastado da família e que um dia passou a sofrer de cirrose (degeneração do fígado) é um dependente do álcool.

De acordo com a chefe de departamento, Maria Lúcia Formigoni, o uso abusivo do álcool pode acarretar diversos problemas, como cirrose hepática, anemias, hipertensão, câncer de vários tipos, doenças neurológicas e malformações de feto. Por ano morrem no mundo 2,5 milhões de pessoas por complicações causadas pelo álcool. Maria Lucia destacou que as pessoas têm começado a beber cada vez mais cedo e é justamente esse público que o site quer priorizar.

 

Fonte:
Agência Brasil
Ministério da Saúde
Universidade Federal de São Paulo