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Falta de profissionais dificulta tratamento de lipoatrofia facial, afirma especialista

por Portal Brasil publicado: 03/09/2010 18h59 última modificação: 28/07/2014 11h51

A falta de profissionais capacitados e de planejamento dos governos estaduais e municipais, que não instalam centros especializados, impedem que o tratamento de lipoatrofia facial seja estendido a todos os pacientes com Aids na rede pública de saúde do País, conforme apontou nesta sexta-feira (3) o dermatologista Márcio Soares Serra, consultor do Ministério da Saúde para esse tipo de distúrbio. A lipoatrofia facial provoca perda de gordura na face.


O especialista apresenta este tema durante a programação do 65º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que começa neste sábado (4), no Rio de Janeiro.


Há dois anos, o dermatologista treina médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer o preenchimento facial de forma gratuita, como prevê a Portaria 2.582, do Ministério da Saúde de 2004, que incluiu cirurgias reparadoras para pacientes com Aids na tabela do SUS.
 


O grande problema, segundo o dermatologista, é que o preenchimento é feito com um material permanente “e os profissionais, nem todos, têm habilidade para fazer isso, tornando o procedimento mais lento e o aprendizado mais demorado”. A substância empregada é o metacrilato, pó acrílico que é colocado no gel para que possa ser injetado subcutaneamente. Ele repõe o volume de gordura perdido na face pelos pacientes com aids.

 
A falta de centros especializados também é outro problema que limita o acesso dos pacientes ao tratamento. No Rio de Janeiro, apenas a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital Geral de Bonsucesso têm esse serviço. São Paulo é o estado com o maior número de municípios com unidades de saúde capacitadas para tal. Em Fortaleza (CE) e Cascavel (PR), também existem centros com essa finalidade. “Então, aos poucos, a gente está tendo isso pelo Brasil”, disse Serra.


O médico também destacou a importância do tratamento para a recuperação da autoestima do paciente com Aids. “O que todo paciente fala é que melhora a autoestima. Já tive dois pacientes que conseguiram emprego depois que fizeram o preenchimento facial. Porque a pessoa fica com a autoestima baixa e depois, quando volta a ter uma fisionomia normal, ela se sente confiante para voltar à vida”.


De maneira geral, na maior parte dos pacientes e dependendo do grau de atrofia, o preenchimento facial é feito em duas ou três sessões. Na rede privada, “dependendo do profissional”, o custo do tratamento oscila entre R$ 1.400 e R$ 3 mil. A falta de material disponibilizado para a rede pública é outro problema que dificulta a disseminação do tratamento em todo o Brasil.


Para mais informações sobre o congresso, que tem atividades programadas até a terça-feira (7), clique aqui (http://www.dermato2010.com.br/index.php).



Fonte: Agência Brasil

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