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Saúde

Brasil entrega 1º remédio de uso infantil para doença de Chagas a 5 países em 20 dias

por Portal Brasil publicado: 02/12/2011 18h05 última modificação: 28/07/2014 12h48

O laboratório público Lafepe deve concluir a fabricação de 4,6 milhões de comprimidos em 20 dias. O País será o primeiro a fabricar o produto Benzonidazol, para uso infantil contra doença de Chagas. As máquinas que produzem o medicamento voltam a trabalhar em plena capacidade na próxima semana. E, dentro de 20 dias, o produto final estará pronto para atender a demanda global de 2012.

Além do medicamento para uso adulto, o Brasil passa a ser o primeiro país a fabricar o Benzonidazol pediátrico, aprovado esta semana pela Anvisa. O medicamento específico para crianças vai evitar a interrupção do tratamento, comum por conta da dificuldade de manejo do produto – era preciso cortar o comprimido de adulto em oito pedaços para dar à criança infectada com a doença. 

Na quinta-feira (1º), o laboratório privado Nortec, responsável pela produção da matéria-prima, entregou 320 kg do insumo para uso adulto e 18 kg para uso infantil ao laboratório público Lafepe, que fabricará o produto final. Serão entregues este mês 4,6 milhões de comprimidos, sendo 3,2 milhões de Benzonidazol adulto e 1,4 milhão para uso pediátrico.

Ambos os laboratórios estão cumprindo o cronograma acordado em outubro entre o governo brasileiro e organismos de cooperação internacional – Organização Panamericana de Saúde (Opas) e Drugs for Neglected Deseases Initiative (DNDI) –, conforme novas demandas que surgiram da Bolívia, Colômbia, Venezuela, Argentina, Paraguai e Uruguai. O Lafepe vinha trabalhando com material em estoque para atender as demandas.

A boa notícia foi anunciada pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Carlos Gadelha, durante o Encontro de Parceiros da Drug for Neglected Deseases Initiative (DNDI), realizado no Rio de Janeiro (RJ), na sexta-feira (2).

O DNDI é uma organização sem fins lucrativos criada pelos Médicos Sem Fronteira, Fiocruz e Instituto Pasteur, entre outros parceiros, para pesquisa e desenvolvimento de tratamentos para doenças negligenciadas. Durante o encontro, que reuniu representantes da indústria privada e instituições públicas, o secretário Gadelha discursou sobre “O papel do Brasil como força catalizadora regional e global em pesquisa para doenças negligenciadas”.

O Brasil é o único produtor mundial do Benzonidazol e, só neste ano 2011, já havia distribuído mais de 1 milhão de comprimidos do medicamento. Além disso, o País tem a perspectiva de uma real cooperação global, que não vise apenas atender interesses econômicos. “Não podemos ver a África pelo seu potencial comercial. Não podemos ver os outros países da América Latina como competidores. É preciso vê-los como parceiros”, afirmou Gadelha.

Desde 2008, o Lafepe usava o estoque de matéria-prima da Roche, que parou de fabricar o produto por sua baixa rentabilidade. O Brasil, então, assumiu a produção mundial. Nesse período, distribuiu 2.703.700 comprimidos do medicamento. Em abril deste ano, o estoque da Roche se esgotou. Foi quando o Ministério da Saúde articulou parceria público-privada com a Nortec para produção de matéria-prima. Enquanto o Lafepe aguardava a produção da matéria-prima, manteve estoque estratégico de 2.738 caixas do produto.

 

Sobre a doença de Chagas

O mal de Chagas é uma doença infecciosa febril causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que se adquire por meio do contato direto com as fezes do inseto conhecido como “barbeiro”. No Brasil, a transmissão vetorial (pelo inseto) domiciliar foi interrompida, mas predominam os casos crônicos. Estima-se que existam entre dois e três milhões de indivíduos infectados. A ocorrência de doença de Chagas aguda (DCA) no País tem sido observada principalmente em decorrência da transmissão oral, por meio de alimentos contaminados.

A doença está presente especialmente na América Latina. De acordo com relatório da OMS de 2007, nos 21 países endêmicos haviam aproximadamente 8 milhões de pessoas infectadas, o que representa uma redução de 50% em relação aos índices de 1990.

Os principais sintomas da fase aguda da doença são: febre prolongada (mais de 7 dias), dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e pernas. Especialmente quando a transmissão é oral, são comuns dor de estômago, vômitos e diarréia. Devido à inflamação no coração, pode ocorrer falta de ar intensa, tosse e acúmulo de água no coração e pulmão. No local da entrada do parasita, normalmente a picada do barbeiro, em geral aparece lesão semelhante a furúnculo no local, conhecido como chagoma de inoculação.

 

Fonte:
Ministério da Saúde

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