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Saúde

Adequação do atendimento pode reduzir mortes por infarto

por Portal Brasil publicado: 20/04/2012 18h06 última modificação: 29/07/2014 09h06

Para melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes cardíacos, o Hospital do Coração (HCor) de São Paulo, em parceria com o Ministério da Saúde, desenvolveu o projeto Bridge (Brazilian Intervention to Increase Evidence Usage in Practice). Segundo os representantes do projeto, o objetivo é melhorar atendimento a pacientes cardíacos do Sistema Único de Saúde

Reconhecido internacionalmente, o estudo mostrou que o Brasil, com a adequação de procedimentos durante atendimento nas emergências hospitalares, pode reduzir em até 20% os casos de mortalidade por infarto, uma das principais causas de morte no País e no mundo.

Para o ministro Alexandre Padilha, que recebeu na quarta-feira (17) a visita da equipe do HCor, o comportamento clínico é fundamental para melhorar a qualidade no atendimento aos paciente cardíacos. “Muitas vezes o paciente com infarto não recebe as terapias adequadas para o tratamento e isso dificulta sua recuperação. Mais do que medicamentos – que hoje são oferecidos gratuitamente pelo SUS – precisamos oferecer um atendimento rápido e adequado ao paciente, pois isso significa a diferença entre a vida e morte”, avalia o ministro.

O estudo foi realizado por meio de um monitoramento permanente sobre as práticas clínicas de acolhimento em hospitais públicos. Durante cerca de oito meses, ao longo de 2011, a equipe do HCor monitorou 34 hospitais públicos do País para verificar como os pacientes com síndrome coronariana aguda (infarto) eram atendidos. Metade dos hospitais foi apenas observada, enquanto outro grupo recebeu treinamento para aplicação da intervenção multifacetada, que incluía materiais educacionais, listas e lembretes que tinham como base evidências científicas de controle da doença.

“Ao chegar ao hospital, o paciente passava por uma triagem. Se apresentasse algum sintoma, um lembrete era anexado ao formulário para que o médico soubesse que se tratava de um paciente de risco. Além da notificação no formulário médico, o paciente recebia uma pulseira que o identificava de acordo com a categoria de risco”, explica o diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa HCor, Otávio Berwanger.

A maioria das mortes por infarto ocorre nas primeiras horas de manifestação da doença – 65% dos óbitos ocorrem na primeira hora e 80% até 24 horas após o início do infarto.


Reconhecimento

Os resultados da primeira fase do projeto foram apresentados com destaque no Congresso do Colégio Americano de Cardiologia, realizado em Chicago (EUA). O trabalho também repercutiu positivamente em artigo publicado na revista científica Jama, uma das publicações médicas mais importantes do mundo.

O diretor geral do HCor e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, acredita que essa associação entre o poder público e o setor privado é fundamental na busca de soluções estratégicas para superar os desafios da gestão e para qualificar o Sistema Único de Saúde. “A estratégia do Bridge é simples, barata e pode salvar muitas vidas na rede pública de saúde, independente da estrutura da unidade de saúde. Além disso, ela demonstra que, com parcerias como esta, é possível realizar pesquisas relevantes no Brasil, cujos resultados possuem alto interesse nacional e podem, também, ter impacto internacional”.

 

Fonte:
Ministério da Saúde

 

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