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Saúde

Doença cardíaca hipertensiva

Pressão alta provoca doenças do coração. É preciso acompanhamento médico, pois a doença não apresenta sintomas e 50% dos casos são diagnosticados na faixa etária a partir de 55 anos
por Portal Brasil publicado: 17/04/2012 16h03 última modificação: 29/07/2014 09h06

A doença cardíaca hipertensiva altera a função e estrutura do coração como consequência da hipertensão arterial. A hipertensão, popularmente conhecida como “pressão alta”, começa em todos os órgãos e ataca todos os vasos sanguíneos. O coração é o órgão responsável por fazer o sangue circular por todo o corpo. A força necessária para esse bombeamento por meio dos vasos é a pressão arterial. É considerada alta quando está igual ou acima de 140 por 90 mmHg.

A hipertensão causa estreitamento, obstruções, entupimento dos vasos. É um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Quando causa entupimento, surge o infarto. Caso se rompa no cérebro, causa um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e pode também provocar a paralisação dos rins. Se o músculo cardíaco não receber a quantidade correta de sangue, ocorre hipertropia (aumento de tamanho), que por sua vez provoca insuficiência cardíaca. 

Segundo o Ministério da Saúde, 50% dos casos de doença cardíaca hipertensiva são diagnosticados aos 55 anos de idade ou mais. O problema atinge principalmente homens a partir dos 40 anos. As mulheres podem ter mais incidência do problema na menopausa, quando perdem a proteção do hormônio estrógeno.

A hipertensão atinge cerca de 30% dos brasileiros adultos. “Com 50 anos de idade, por exemplo, a pessoa tem 50% de chances de desenvolver hipertensão; com 60 anos, 60%, e assim por diante”, explica Décio Mion, chefe da Unidade de Hipertensão do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo.

De acordo com o especialista, 95% dos casos são genéticos. Entre outras causas estão estresse, tumores em que determinada produção de hormônios fecha os vasos e eleva a pressão, além de doença renal que provoca o estreitamento das artérias dos rins. 

A doença não causa sintomas – nem dor de cabeça, que antes se acreditava estar ligada à hipertensão. Hoje se sabe que qualquer dor pode elevar a pressão. Quando surgem alguns sinais, os órgãos mais importantes já estão atacados. Nesse caso, podem surgir falta de ar, inchaço nas pernas e dor no peito. Podem ocorrer também zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. 

No caso dos idosos, existe o efeito da chamada “cascata terapêutica”, em que um medicamento inadequado provoca outros problemas, diz Maurício Wangarten, médico do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo) e professor de cardiologia da Faculdade de Medicina da USP.

Ele lembra que o idoso tem menor sensibilidade ao sal, sente menos sede e é mais sensível à queda de pressão. O sal retém água, o que aumenta o volume de sangue e proporciona a pressão alta. O especialista orienta que a medição da pressão deve ser feita em pé. Entre 20% a 30% dos idosos que medem a pressão em pé, ela recua. “Isso é resultado do envelhecimento, com mecanismos de adaptação alterados”. 

As medidas para prevenir a hipertensão e, consequentemente, as doenças do coração são:

Evitar o sedentarismo, praticar esportes;
Evitar a obesidade;
Alimentação saudável; 
Não abusar do sal;
Não abusar do álcool; 
Não fumar;
Evitar o estresse;
Medir sempre a pressão arterial e consultar um médico periodicamente.

A pressão alta não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada. Alguns idosos conseguem controlar a pressão com hábitos saudáveis, outros só conseguem com medicamentos. “Se a pessoa tiver uma carga genética para a hipertensão, mas for magra e praticar esportes, tem chance menor de manifestar o problema”, resume Décio Mion.

Fontes:
Ministério da Saúde
Sociedade Brasileira de Cardiologia

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