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Saúde

Casos de malária no País caem mais da metade em seis anos

por Portal Brasil publicado: 18/10/2012 12h40 última modificação: 28/08/2014 16h35
Divulgação/FioCruz A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles.

A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles.

O número de óbitos causados pela doença caiu para 70% na última década

O número de casos de malária registrados no Brasil, desde 2005, caiu 56%. Somente no ano de 2005, foram registrados 607.782 casos, enquanto em 2011 foram 267.045 registros. Estes dados fazem parte da publicação Saúde Brasil 2011, que foi lançada na quarta-feira (17), em Brasília.

A redução acentuada nestes últimos seis anos é reflexo, principalmente, da descentralização das ações de prevenção e controle da doença, a inclusão de derivados de artemisina no tratamento dos pacientes e o atendimento, em até 72 horas, depois do aparecimento dos primeiros sintomas. O aumento dos investimentos e a capacitação dos profissionais também tem sido fundamental para a diminuição dos casos.

Ganha destaque na publicação a redução dos óbitos em 70% na última década. Em 2000 foram registradas 243 mortes, contra 73 em 2010. Além disso, as internações diminuíram em mais de 60%, passando de 12.542 em 2005, para 4.920 no ano passado.

“Os dados positivos são o resultado de uma ação integrada, que inclui a intensificação de ações de rotina para diagnóstico precoce e tratamento oportuno de pacientes”, explica o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. Para ele, os números refletem o empenho dos gestores federais, estaduais e municipais no controle da doença.

Recursos

No ano passado, para os locais onde há maior vulnerabilidade à doença, foram repassados R$ 15 milhões pelo Ministério da Saúde (MS), recurso utilizado para a instalação de mais de um milhão de mosquiteiros com inseticidas.Outras medidas, como o envio de 194 microscópicos para ampliar a rede de diagnósticos da malária, além de 39 novas caminhonetes e 500 mil testes rápidos para diagnóstico da doença - subsidiados pelo Fundo Global de Luta Contra Aids, Tuberculose e Malária - também promovidas pela pasta.

Prevenção

Entre as ações de prevenção regulares estão: a drenagem de áreas alagadas tidas como de risco; pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, aterro, limpeza das margens dos criadouros; a modificação do fluxo da água; o controle da vegetação aquática; o melhoramento da moradia e das condições de trabalho da população; e o uso racional da terra.

O ministério também orienta à população a tomar algumas medidas de proteção individual contra picadas de insetos, principalmente nas áreas de risco, como o uso de mosquiteiro impregnado com inseticida; o uso de telas nas portas e janelas; o uso de repelente; e evitar locais de banho em horários de maior atividade do mosquito - manhã e final da tarde. 

Selo de qualidade

Um medicamento contra malária desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fundação Oswaldo Cruz (Farmaguinhos/Fiocruz), o ASMQ, recebeu a pré-qualificação da OMS, que garante o alto padrão de qualidade do produto.

A certificação, anunciada no último dia 3 de outubro, na Índia, garante que a dose fixa de artesunato (AS) e mefloquina (MQ), desenvolvida pelo Farmaguinhos em parceria com a organização Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, em inglês), terá maior facilidade para ser distribuída no sudeste asiático.

O ASMQ é uma das cinco combinações baseadas em artemisina (ACTs) recomendadas pela OMS para o tratamento da malária, e tornou-se a primeira linha de tratamento para a doença em diversos países da Ásia. O método foi registrado na Índia em 2011 e já foi usado no tratamento de cerca de 18 mil pacientes adultos. Na Malásia, o registro foi feito em 2012.

O coordenador de pesquisa clínica de Farmanguinhos, André Daher, explica que o tratamento com as duas drogas já era usado, mas a nova formulação, registrada no Brasil e distribuída pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária desde 2008, oferece tratamento mais fácil e eficiente.

Quando usados separadamente, os dois princípios ativos podem provocar efeitos adversos, resultando na desistência do tratamento por alguns pacientes. Porém, quando combinados, esses efeitos são reduzidos e o tempo para tratar a doença cai de sete para três dias.

Malária

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária é a quinta doença que mais mata no mundo. Ela é provocada pelo parasita do gênero Plasmodiun, transmitido pela picada da fêmea infectada do mosquito do gênero Anophele, conhecido como muriçoca, mosquito-prego ou carapanã. A doença, também chamada de impaludismo, causa sintomas como dor de cabeça, no corpo, dor abdominal, tontura, náusea, fraqueza, febre alta e calafrios.

O período de incubação varia de oito a 17 dias, podendo chegar a vários meses, em condições especiais. Uma vez diagnosticada, o tratamento é eficaz, simples e gratuito. Ainda não existe uma vacina disponível contra a doença. Para cada espécie de plasmódio, há medicamentos ou associações de medicamentos específicos em dosagens adequadas à situação de cada doente. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente toda a medicação para o tratamento da doença.

No Brasil, 99,5% dos casos são registrados na região da Amazônia Legal. As pessoas que mais correm risco de contrair a doença (1,2 bilhão) vivem na África e Ásia. A maior parte dos óbitos (91%) ocorre no continente africano, enquanto 9% das mortes são contabilizadas no território asiático. Crianças com menos de cinco anos são as mais afetadas, contabilizando, aproximadamente, 86% das mortes pela doença no mundo.

 

 

Fonte:
Ministério da Saúde
Portal Brasil

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