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Saúde

Brasil estabiliza taxas de sobrepeso e obesidade

Pesquisa

Homens têm mais excesso de peso do que mulheres - 54,7% contra 47,4%. Ministério da Saúde vai reforçar hábitos saudáveis em crianças
por Portal Brasil publicado: 30/04/2014 12h51 última modificação: 30/07/2014 03h20
Divulgação/Ministério da Saúde Ministério da Saúde divulga pesquisa sobre hábitos dos brasileiros

Ministério da Saúde divulga pesquisa sobre hábitos dos brasileiros

Pela primeira vez em oito anos, o Brasil conseguiu estabilizar as taxas de sobrepeso e obesidade. É o que revela a pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada, nesta quarta-feira, em Brasília (DF). 

De acordo com o levantamento, 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal. Destes, 17,5% são obesos. Homens têm mais excesso de peso do que as mulheres - 54,7% contra 47,4%. "É a primeira vez que vemos a estabilização destes número. Para nós que trabalhamos com políticas públicas de saúde essas informações nos dão um norte", afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. 

Já entre as mulheres com escolaridade de no mínimo 12 anos, a taxa de obesidade cai para 36,6%. A prevalência de obesidade também cai pela metade entre esses dois grupos de mulheres, atingindo 24,4% e 11,8%, respectivamente. "Quanto maior a escolaridade, menor a taxa de obesidade e excesso de peso. Isso indica que sobrepeso não é uma situação imutável e nós podemos mudar essa realidade com políticas públicas, com mudança de comportamento também", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. 

O ministro Arthur Chioro ressaltou que serão destinados R$ 71 milhões para Programa Saúde na Escola em 2014: "Reforçar mudanças de hábitos entre as crianças é importantíssimo para o combate à obesidade", disse.

Dentre os países do BRIC, apenas Índia e China têm índices de obesidade menores que o Brasil. Hoje, a obesidade é uma preocupação global, por conta de substituição da alimentação tradicional por alimentos processados.

Hábitos

A Vigitel 2013 também apontou aumento nos índices de atividade física e consumo recomendado de frutas e hortaliças. Atualmente, 19,3% dos homens e 27,3% das mulheres comem cinco porções por dia de frutas e hortaliças, quantidade indicada pela Organização Mundial de Saúde.

A frequência de atividade física em tempo livre aumentou de 30,3% para 33,8% nos últimos 5 anos. O ideal é fazer 150 minutos de atividades físicas leves ou moderadas e 75 minutos de atividades de intensidade vigorosa por semana.

A Vigitel ainda detectou números sobre fumantes no País. Nos últimos oito anos, caiu em 28% o número de fumantes entre a população brasileira acima de 18 anos. Atualmente, apenas 11% da população brasileira se declara fumante.

Preocupação

Apesar desses avanços, o estudo também mostra a existência de diversos hábitos alimentares inapropriados da população.  Um deles é o índice que mostra quantos brasileiros tem o habito de substituir o almoço ou o jantar por um lanche de baixo valor nutritivo. Consultado pela primeira vez no Vigitel, o indicador mostrou que 16,5% dos brasileiros (12,6% dos homens e 19,7% das mulheres) costumam trocar o almoço ou jantar por lanches como pizzas, sanduíches ou salgados diariamente.

Outro indicador que preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada: 31% da população não dispensam a carne gordurosa e mais da metade (53,5%) consome leite integral regularmente. O refrigerante também têm consumidores fiéis: 23,3% ingerem esta bebida, no mínimo, cinco dias por semana.

Combate às doenças crônicas

Deter o crescimento da proporção de adultos brasileiros com excesso de peso ou com obesidade é uma das metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), lançado em 2011. O documento interministerial tem como objetivo diminuir em 2% ao ano o número de mortes ocasionadas por estas doenças até de 2022, hoje responsável por 72,4% dos óbitos dos brasileiros.

Entre as ações previstas no Plano DCNT para incentivar a pratica de atividade física, está o Programa Academia da Saúde. A iniciativa prevê a implantação de polos com infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados para contribuir para a promoção de modos de vida saudáveis. Atualmente, há 3.725 polos habilitados para construção em todo o País. Considerando os polos construídos com recursos federais e os polos similares, há 224 academias em funcionamento que recebem recurso de custeio.

A Atenção Básica também proporciona diferentes tipos de tratamentos e acompanhamentos ao usuário, incluindo o atendimento psicológico. Atualmente, existem 2.936 Núcleos de Atenção à Saúde da Família, com 2.612 nutricionistas, 4.208 fisioterapeutas e 2.993 psicólogos, além de educadores físicos e sanitaristas. A evolução do tratamento deve ser acompanhada por uma das 39,9 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), presentes em todos os municípios brasileiros. Nos casos de obesidade mórbida, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece ainda, como último recurso para perda de peso, a cirurgia bariátrica.

Saúde não tem preço

A hipertensão arterial permanece estável na população, atingindo 24,1% da população adulta brasileira (26,3% das mulheres e 21,5% dos homens). O diagnóstico de diabetes, no entanto, cresceu desde a primeira edição. O percentual de pessoas que declararam terem recebido diagnostico de diabetes passou de 5,5% para 6,9% de 2006 para 2013. O diabetes também é mais comum entre as mulheres (7,2%) do que em homens (6,5%).

O avanço do diagnóstico está relacionado à melhoria do acesso na atenção básica. No entanto, as doenças crônicas têm forte relação com o excesso de peso, a falta de exercícios físicos, a má alimentação e o envelhecimento da população. Ambas as doenças se tornam mais frequentes com a idade. Se entre 18 e 24 anos, as proporções de hipertensos é de 3,0 % e de diabéticos é de 0,8 %. Aos 65, a prevalência sobe para 60,4% e 22,1%, respectivamente.

Para manter o controle da pressão arterial e da glicose sanguínea, são distribuídos gratuitamente pelo governo federal 11 medicamentos gratuitos: seis para hipertensão e cinco para diabetes, por meio do programa Saúde Não Tem preço. Desde o lançamento do programa em 2011, já foram beneficiados 6,6 milhões de diabéticos e 16,4 milhões de hipertensos.

Estima-se que futuramente ainda mais pessoas com diabetes e hipertensão passarão a ter acesso ao tratamento adequado graças à atuação dos profissionais do Programa Mais Médicos. Um levantamento preliminar do Ministério da Saúde já mostrou crescimento de 27,3% no atendimento a pessoas com hipertensão nos municípios com profissionais do Mais Médicos em novembro de 2013 quando comparado a junho do mesmo ano, antes da chegada dos profissionais. Houve aumento ainda, neste mesmo período, de 14,4% na assistência a pessoas com diabetes, de 13,2% no número de pacientes em acompanhamento e de 10,3% no agendamento de consultas.

Prevenção ao Câncer 

O Vigitel 2013 revela o crescimento de 9,7% no acesso ao exame de mamografia nas capitais e no Distrito Federal. Em 2006, 71,1% das mulheres com idade entre 50 e 69 anos afirmaram ter se submetido ao exame. Em 2013, o percentual subiu para 78%. O levantamento traz dados ainda sobre a prevenção ao câncer de colo: 82,9% das mulheres entre 25 e 64 anos realizaram o exame de citologia oncótica, mais conhecido como papanicolau, nos últimos três anos.

Novamente a escolaridade se mostrou um fator determinante à realização dos dois exames. O percentual de entrevistadas com mais de 12 anos de estudo que fizeram a mamografia foi 88,3% e entre aquelas que estudaram até oito anos, a proporção ficou em 72,9%. No caso do Papanicolau, os percentuais são 87,2% e 78,6%, respectivamente. 

Fonte:

Ministério da Saúde

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