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Saúde

Estudo cria nova forma de diagnóstico para meningites

Inovação

Invenção possibilita a identificação precisa e eficiente da doença. Já foi depositado pedido de patente para o kit diagnóstico
por Portal Brasil publicado: 01/04/2014 18h03 última modificação: 30/07/2014 03h19

Pesquisadores do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas) depositaram no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) pedido de patente para o kit de diagnóstico diferencial de meningites. O kit é resultado do trabalho liderado pelo pesquisador em Ciências Médicas (Microbiologia, Universidade René Descartes) Roney Coimbra, com potencial para mudar o panorama dos diagnósticos e tratamentos das meningites no Brasil. Segundo a coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da Fiocruz Minas, Cristina Carrara, a invenção possibilita, por meio da “detecção combinada e análise sequencial de biomarcadores específicos”, um diagnóstico preciso e eficiente das meningites. Na entrevista, Coimbra esclarece os passos da pesquisa.

Na prática, como funcionará a invenção?

Por meio da análise do líquido cefalorraquidiano, ou líquor (fluido corporal que fica entre as membranas aracnoide e pia-máter das meninges e que também preenche as cavidades intracisternais do cérebro), verificamos a presença de biomarcadores, proteínas da resposta inflamatória dos hospedeiros humanos de meningite. Estudando esses biomarcadores, conseguimos estabelecer, com precisão, qual agente etiológico da meningite infectou o paciente. Essa informação é fundamental para a decisão clínica pela abordagem terapêutica correta.

E essa análise é feita em laboratório?

Estamos padronizando um teste imunológico do tipo ELISA (enzyme-linked imune assay) para validação do método preditivo em um painel amplo de amostras de líquor de pacientes. Com essa versão do teste, o exame será realizado em laboratório. Além disso, estabelecemos uma parceria com uma empresa de biotecnologia brasileira para o desenvolvimento de um teste empregando aptâmeros (anticorpos artificiais) e leitura dos resultados em sistema de eletroforese capilar, o que possibilitará que o diagnóstico seja feito em poucos minutos e no próprio hospital.

Por que a velocidade é tão importante no diagnóstico?

O indivíduo, ao buscar ajuda para uma suspeita de meningite, normalmente está em um estágio avançado da doença, por isso a janela temporal de tratamento já está pequena. O médico tem que decidir sem demora o que fazer, e os testes para meningite atuais são imprecisos e inexatos. O clínico precisa de um teste point-of-care (testes realizados perto de onde o paciente está) que seja acurado e rápido.

Mas é possível realizar um teste 100% eficiente?

Nenhum exame tem 100% de sensibilidade e especificidade (medidas usadas em testes de laboratório que medem, respectivamente, a capacidade do teste em identificar corretamente a doença entre aqueles que a possuem e de excluir corretamente aqueles que não possuem a doença). Mas queremos chegar tão perto disso quanto possível.

Quais as principais vantagens do novo kit de diagnóstico em relação ao método antigo?

O método antigo, por ser lento e impreciso, tem como consequência um grande número de internações preventivas e o uso desnecessário de antibióticos. O diagnóstico rápido evita essas circunstâncias e possibilita o tratamento adequado e imediato. Além disso, o novo teste aumenta a janela temporal de diagnóstico, tornando possível o diagnóstico correto mesmo após a eliminação dos patógenos. Por fim, os resultados não são influenciados pela presença de material genético ou resquícios de patógenos já eliminados, o que é extremamente importante porque a resposta inflamatória exacerbada do paciente pode levá-lo a óbito ou causar lesões mesmo depois da eliminação dos patógenos.

Que parcerias influenciaram no desenvolvimento do trabalho?

Além da Dra. Rosiane Pereira, pesquisadora do CPqRR e coproponente deste projeto junto ao CNPq, tivemos a colaboração das equipes das Plataformas PDTIS de eletroforese 2D (BH), da plataforma PDTIS de Bioinformática (BH) e de espectrometria de massas (RJ), de uma aluna de iniciação científica e uma de mestrado e de colaboradores do Hospital João Paulo II – FHEMIG, que será coproprietário da patente.

Seus estudos sobre o tema estarão encerrados após a finalização da invenção ou pretende se aprofundar mais?

Obtivemos outro resultado importante com o projeto: a identificação de alvos terapêuticos, moléculas cruciais da resposta inflamatória aos patógenos das meningites cujas atividades biológicas podem ser moduladas com fármacos. A partir desta descoberta, iniciamos novos estudos, já em progresso, utilizando modelos experimentais de meningites malignas, visando prevenir a mortalidade e as sequelas decorrentes da doença.

Fonte: 
Fundação Oswaldo Cruz

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