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Saúde

Acordo entre governo e indústria retira toneladas de sódio de alimentos

Qualidade Alimentar

Em um ano, 1.295 toneladas de sódio foram reduzidas em três tipos de produtos: pão de forma, bisnaguinhas e macarrão instantâneo
publicado: 12/08/2014 15h34 última modificação: 12/08/2014 15h34

As indústrias alimentícias reduziram, em um ano, 1.295 toneladas de sódio em três tipos de alimentos: pão de forma, bisnaguinhas e macarrão instantâneo. A previsão é que a retirada deste item alcance mais de 1,8 mil toneladas até o fim deste ano.

As medidas são fruto do acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde e a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia) para monitoramento do uso de sódio em alimentos industrializados.

O objetivo é alertar a população para a mudança de alguns hábitos alimentares, tanto no consumo de sal na hora das refeições quanto na escolha dos produtos em supermercados.

“Esta redução de sódio na alimentação do brasileiro se materializa na redução, ao longo prazo, no número de óbitos por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como infarto e AVC. É importante ressaltar ainda que não estamos banindo o consumo do sal, e sim, evitando o excesso, que é prejudicial à saúde”, destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

A previsão é de que, até 2020, mais de 28 mil toneladas de sódio estejam fora das prateleiras, como resultado dos quatro Termos de Compromisso firmados entre Ministério da Saúde e Abia. O total da parceria reúne 16 categorias de alimentos que representam mais de 90% do sódio em produtos industrializados.

Segundo o presidente da Abia, Edmundo Klotz, “a autorregulamentação é um instrumento positivo que definiu metas a serem alcançadas pela indústria da alimentação em acordo firmado com o setor público”. Ele acrescentou ainda que "trata-se também de um mecanismo indutor que incentiva as empresas que não são associadas à Abia a investirem em tecnologia para a redução do sódio”.

Consumo de Sal

Um estudo feito pelo Ministério da Saúde mostra que o brasileiro tem uma percepção equivocada sobre a quantidade correta de sal a ser consumida diariamente, pois acredita que utiliza menos sal do que realmente chega às mesas.

Segundo a pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), 48,6% dos brasileiros avaliaram como médio seu nível de consumo diário de sódio. No entanto, estima-se consumo médio de quase 12g por pessoa por dia, o que é mais do que o dobro do que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de no máximo de 5 gramas ao dia.

O consumo exagerado do sal está relacionado ao aumento no risco das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, responsáveis por 63% das mortes no mundo e 72% no Brasil. Um terço destas mortes ocorre em pessoas com idade inferior a 60 anos.

Se o consumo de sódio for reduzido à quantidade recomendada pela OMS, o número de mortes por acidentes vasculares cerebrais podem diminuir em 15%, e as mortes por infarto, em 10%. 

Entretanto, o Brasil superou a meta estabelecida para a redução da mortalidade prematura por doenças crônicas, que era de 2% ao ano. No entanto, entre 2010 e 2011, o índice de queda da mortalidade prematura (30 a 70 anos) por DCNT foi de 3,8%. A expectativa é chegar a 25% em 2022. 

Monitoramento do Sódio

O número de redução de sódio em alimentos processados foi identificado a partir da análise de rotulagem nutricional e amostras avaliadas em laboratórios pela Anvisa em três categorias de alimentos.

Foram coletados dados de rotulagem de 172 marcas de massas instantâneas, 102 marcas de pães de forma e 13 marcas de bisnaguinhas. Para a análise laboratorial, foram coletadas amostras em nove estados, correspondentes a 54 produtos. 

Os parâmetros utilizados foram as metas de redução de sódio estabelecidas em 2011 no acordo entre o Ministério da Saúde e a Abia. O documento definiu o teor máximo de sódio a cada 100 gramas em alimentos industrializados. No caso das massas instantâneas, a quantidade foi limitada a 1,9g até 2012. Isso representa uma diminuição anual de 30% no valor máximo de sódio desses alimentos.

Nos pães de forma, o acordo previu a redução do teor máximo de sódio para 645mg, até 2012, e para 522mg, até 2014; enquanto que, nas bisnaguinhas, o limite era de 531 e 430mg, nas mesmas datas. Essas metas estabelecidas correspondiam a uma redução de 10% ao ano no valor máximo de sódio.

Dos 54 produtos avaliados em laboratórios, 40 ficaram abaixo da meta de quantidade de sódio. Das 29 marcas de macarrão instantâneo, 19 (65,5%) ficaram abaixo da média (1920,7 mg/100g). Já entre as 16 marcas de pães de forma, 15 (93,75%) estavam abaixo da média (645mg/100g) e entre as nove marcas de bisnaguinhas seis (66,6%) ficaram abaixo da meta (531 mg/100g). 

As análises de rotulagem mostram tendência semelhante de cumprimento das metas em relação aos teores médios de sódio por categoria. Do total, 94,9% das massas instantâneas, 97,7% dos pães de forma e 100% das bisnaguinhas estavam abaixo das suas metas, que são 1920,7mg/100g, 645mg/100g e 531mg/100g, respectivamente.

Resultados semelhantes foram encontrados mesmo em empresas que não estão associadas à Abia, mostrando que o acordo de cooperação também teve efeito na reformulação dos produtos em todo o mercado. 

O acordo, que tem adesão voluntária, estabelece o acompanhamento das informações da rotulagem nutricional dos produtos e as análises laboratoriais de produtos coletados no mercado e da utilização dos ingredientes à base de sódio pelas indústrias.

Desde o início de 2013, estão sendo coletadas e analisadas amostras de categorias de produtos firmados nas duas primeiras etapas da parceria. Foram pactuadas metas voluntárias de redução, oficializadas por meio de quatro termos de compromisso entre o Ministério da Saúde e a Abia.

Qualidade de vida

Essas ações, assim como o incentivo à atividade física e a alimentação saudável, a prevenção da obesidade infantil nas escolas, orientações sobre a importância de parar de fumar e a expansão da assistência em doenças crônica, integram o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde.

Lançado em 2011, a iniciativa visa prevenir e reduzir as mortes prematuras por diabetes, câncer, hipertensão e outras doenças do aparelho circulatório e respiratório.

Fonte:

Ministério da Saúde

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