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Saúde

Falta de notificação dificulta controle da tuberculose

Diagnóstico

Brasil apresenta queda consistente do número de casos na última década, apresentando situação melhor que demais países latinos
publicado: 14/08/2014 15h46 última modificação: 14/08/2014 15h46

Pelo menos dois terços do total de vítimas da tuberculose no mundo não têm o diagnóstico notificado, o que dificulta bastante o controle da doença. A informação é da médica pneumologista e pesquisadora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Margareth Dalcolmo. 

Segundo ela, “Hoje, existem no mundo aproximadamente 450 mil casos de tuberculose resistente, e 150 mil mortes em decorrência dessa grave forma da doença. O Brasil, que apresenta uma queda consistente na mortalidade nos últimos 10 anos, possui uma situação diferenciada em relação aos demais países da América Latina por contar com uma série de ações de controle e tratamento da TB”, explica. 

Ao apontar os países com alta carga de tuberculose XDR-TB e resistência à doença, de acordo com dados fornecidos em 2013 pela Organização Mundial da Saúde, a pesquisadora revelou o cenário da precariedade de notificação que cerca o enfrentamento da tuberculose no mundo.

Para exemplificar esse cenário, ela citou a África e países da Ásia como Índia, China, Bangladesh e Paquistão - todos com alta carga da doença e onde se sabe que ocorrem mortes sem um diagnóstico preciso. “Quando se fala na resistência, a situação é mais grave, uma vez que apenas uma em cada cinco pessoas com tuberculose multirresistente (TB-MR) está sendo hoje, no mundo, notificada e tratada adequadamente”, alertou. 

De acordo com a médica, os países que integram o grupo dos BRICS concentram 60% da incidência de tuberculose no mundo. A China, por exemplo, tem um milhão de casos por ano; a Índia mais de 2 milhões e duzentos mil, com uma alta taxa de resistência aos principais fármacos; e os países da antiga União Soviética, por sua vez, concentram as mais altas taxas de resistência primária, decorrente de maus tratamentos prévios.

“Hoje, a nossa preocupação no Brasil é estruturar centros de referência qualificados para assistência de casos complexos de tuberculose (casos de difícil manejo). No Rio de Janeiro, há o serviço do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga e do IPEC, na Fiocruz, além do Hospital Federal dos Servidores (HSE) preparados para atender essa situação. Os casos de difícil manejo não são somente os multirresistentes, são pacientes co-infectados por HIV, ou seja, aqueles que apresentam interação farmacológica grave, portadores de hepatite crônica, hepatite C e B, portadores de doenças auto-imunes e outras micobacterioses.” 

Em relação ao diagnóstico, após mais de cem anos com a baciloscopia e a cultura, hoje se pode pensar em uma mudança de paradigma, com a implementação do método molecular rápido de diagnóstico para tuberculose, denominado Gene Xpert, afirmou Margareth.

Esse método possibilita identificar o patógeno e o sinal genético de resistência à rifampicina, usado no tratamento. “É um método revolucionário porque dispensa a complexidade de ambientes de biossegurança de laboratórios de bacteriologia, permitindo um diagnóstico em cerca de 3 horas”. 

Quanto aos avanços na terapêutica da tuberculose, Margareth deu ênfase às linhas atuais de pesquisa, que buscam a melhor associação medicamentosa, com esquemas mais curtos, de administração mais simples e menos tóxicos. O panorama atual revela 6 novos fármacos, 3 novas classes medicamentosas diferentes e 4 fármacos repropostos (uma molécula para a qual se encontra uma nova via farmacológica), em estudos clínicos de fases 2 e 3. 

Fonte:

Fundação Oswaldo Cruz

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