Você está aqui: Página Inicial > Saúde > 2014 > 11 > Fiocruz busca ampliar eficácia de inseticidas contra malária

Saúde

Fiocruz busca ampliar eficácia de inseticidas contra malária

Combate

Estudos vão determinar o prazo exato do tempo em que o produto permanece ativo, combatendo a presença do mosquito
por Portal Brasil publicado: 14/11/2014 18h09 última modificação: 14/11/2014 18h09
Gutemberg Brito Para assegurar a qualidade dos resultados, 20 fêmeas do gênero Anopheles são colocadas em três diferentes alturas. Testes devem durar dois anos

Para assegurar a qualidade dos resultados, 20 fêmeas do gênero Anopheles são colocadas em três diferentes alturas. Testes devem durar dois anos

Desafio da saúde pública mundial, o combate à malária tem nos inseticidas contra o mosquito transmissor um importante aliado.

Utilizando uma metodologia pioneira, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) deram início a um estudo que pretende definir um protocolo de aplicação mais eficaz para estes produtos.

A iniciativa, em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), conta com o apoio do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

Atualmente, uma das formas de combate à malária no Brasil consiste no uso de inseticidas. Para combater um mosquito que vive em florestas – mas entra no ambiente doméstico para se alimentar com sangue - uma das perguntas importantes para os cientistas é saber se a eficácia da aplicação de inseticidas em diferentes revestimentos poderá apresentar variações. Outra questão relevante é definir qual a periodicidade ideal das aplicações.

“Esperamos preencher uma lacuna de informação. Nossa expectativa é ter dados que permitam inclusive aperfeiçoar as indicações de uso presentes nos rótulos dos inseticidas”, diz José Bento Pereira Lima, pesquisador do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do IOC e coordenador do estudo.

“O projeto, que foi encomendado pelo Ministério da Saúde, não poderia ser realizada sem a parceria com o IEPA, um instituto com capacidade técnica para o estudo e localizado na região que concentra 99% dos casos de malária no País.”

Na busca de respostas para estes e outros questionamentos, o “tubo de ensaio” não poderia ser outro: uma casa foi construída especialmente para os testes na sede do IEPA, em Macapá.

Simulando o ambiente residencial, a casa possui os quatro tipos de superfícies encontradas com mais frequência na Região Amazônica, onde ocorre a transmissão da malária no Brasil, incluindo alvenaria com reboco, alvenaria sem reboco, madeira pintada e madeira sem pintura.

As seis formulações de inseticidas atualmente disponíveis estão sendo aplicadas em cada um dos tipos de revestimento, de acordo com as condições reais de uso.

Os estudos vão determinar o prazo exato de efeito residual – tempo em que o produto permanece ativo, combatendo a presença do mosquito, em cada tipo de superfície.

Mosquitos em ação

Vinte e quatro horas após a aplicação  dos inseticidas, os mosquitos são colocados em contato com cada tipo de superfície ao longo de 30 minutos. Em cada teste, cerca de 20 fêmeas do gênero Anopheles foram usadas – são as fêmeas que transmitem a doença em busca de sangue para sua alimentação. Em seguida, os mosquitos são levados para análise em laboratório. “Em até 24 horas, pelo menos 80% dos mosquitos devem, obrigatoriamente, estar mortos.

Esse processo se repetirá mensalmente para as diversas superfícies, até verificarmos que o produto não está mais tendo o efeito esperado”, explica Ana Paula Sales de Andrade Corrêa, pesquisadora do IEPA e integrante da iniciativa.

A preocupação com cada detalhe é constante entre os especialistas. “Estamos de olho em cada particularidade. Para uma melhor análise da exposição aos inseticidas, vamos estudar grupos de mosquitos em três diferentes alturas: 50cm, 1,0m e 1,50m. Estas são as distâncias do solo em que as fêmeas geralmente repousam após a alimentação com sangue”, justifica Allan Kardec Ribeiro Galardo, chefe do Laboratório de Entomologia Médica do IEPA e coordenador do estudo juntamente com José Bento.

Além do benefício para a saúde pública, o Consultor Nacional em Malária da OPAS, Oscar Mesones Lapouble, que acompanha de perto o estudo, chama a atenção para o aspecto econômico da iniciativa. “Teremos redução no uso de recursos públicos, uma vez que a pesquisa busca otimizar um dos processos de controle do vetor”, afirmou Lapouble.

“Procuramos contribuir para que o Programa Nacional de Controle da Malária adote um controle cada vez mais eficiente do vetor”, conclui Bento.

Próximos passos

Os mosquitos que sobreviverem à exposição aos inseticidas serão guardados para futuros estudos sobre a resistência aos produtos químicos usados no combate. “Pouco se sabe sobre resistência dos Anopheles aos inseticidas disponíveis. Vamos aproveitar a oportunidade deste projeto e ir além”, enfatiza Ana Paula Sales. O trabalho deve durar, em média, dois anos.

Fonte:
Fundação Oswaldo Cruz

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Hospital da UnB amplia áreas de atendimento após repasses federais
Mais Médicos: um serviço ao Brasil
Médico aposentado que aderiu ao programa do governo federal resolve servir em comunidades carentes.
Mais Médicos para todos
Inscrito no programa do governo federal, médico aposentado defende utilidade do Mais Médicos.
Hospital da UnB amplia áreas de atendimento após repasses federais
Hospital da UnB amplia áreas de atendimento após repasses federais
Médico aposentado que aderiu ao programa do governo federal resolve servir em comunidades carentes.
Mais Médicos: um serviço ao Brasil
Inscrito no programa do governo federal, médico aposentado defende utilidade do Mais Médicos.
Mais Médicos para todos

Últimas imagens

Reinserção social de pessoas que sofreram com transtornos mentais está previsto em lei federal
Reinserção social de pessoas que sofreram com transtornos mentais está previsto em lei federal
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Hospitais vão virar Centros Confirmadores das doenças e adotar um modelo único de atendimento a partir de abril
Hospitais vão virar Centros Confirmadores das doenças e adotar um modelo único de atendimento a partir de abril
Divulgação/Agência Brasil
Brasil Sorridente garante acesso ao tratamento odontológico gratuito no Sistema Único de Saúde
Brasil Sorridente garante acesso ao tratamento odontológico gratuito no Sistema Único de Saúde
Divulgação/Blog Planalto
Governo federal, DF e Goiás criam força-tarefa para combater o mosquito
Governo federal, DF e Goiás criam força-tarefa para combater o mosquito
Divulgação/EBC
Centro vai integrar em um único espaço serviços oferecidos a crianças com microcefalia
Centro vai integrar em um único espaço serviços oferecidos a crianças com microcefalia
Divulgação/Governo Maranhão

Governo digital