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Saúde

Fiocruz bate recorde de produção de antirretrovirais contra a Aids

Tratamento

Estimativa é de que, até o fim do ano, a instituição produza mais de 235 milhões de unidades. Local também desenvolve pesquisas em busca de novos tratamentos
por Portal Brasil publicado: 01/12/2014 15h57 última modificação: 01/12/2014 15h57

Nesta segunda-feira (1) é celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Para marcar a data, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) antecipa uma série de ações desenvolvidas para combater a doença causada pelo HIV. A principal delas é o novo recorde da produção de antirretrovirais.

A estimativa é de que, até o fim de 2014, o instituto produza mais de 235 milhões de unidades farmacêuticas, o que representa um crescimento de aproximadamente 27% em relação ao ano passado.

Atualmente, no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM), em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, Farmanguinhos produz e distribui sete dos 23 antirretrovirais que compõem o coquetel antiaids: atazanavir, efavirenz, isoniazida, lamivudina, lamivudina+zidovudina, nevirapina e zidovudina.

Desde agosto, já havia sido batido novo recorde de produção de lamivudina. Em outubro foi a vez do composto lamivudina+zidovudina. Em novembro, Farmanguinhos bateu recorde do efavirenz. Com isso, a unidade cumpre seu compromisso de abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando milhares de brasileiros que necessitam se tratar usando estes medicamentos.

Farmanguinhos também desenvolve pesquisas na busca por novas formulações contra a doença. Além disso, é um dos protagonistas na recuperação das indústrias farmacêutica e farmoquímica nacionais, por meio da implementação das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

Instituto participa de quatro PDP envolvendo antirretrovirais em dose fixa combinada: lopinavir 200 mg + ritonavir 50 mg; lopinavir 100 mg + ritonavir 25 mg; tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg + efavirenz 600 mg (3 em 1) e o tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg (2 em 1). Além dessas, em 2013, a unidade assinou acordo para o desenvolvimento do darunavir.

Com as PDPs, o objetivo é absorver a tecnologia de novas formulações. Assim, os laboratórios estrangeiros que detêm o domínio tecnológico se comprometem a transferir a tecnologia para a produção do medicamento e do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) – a substância responsável pelo tratamento –, para empresas nacionais, no prazo de cinco anos. Como contrapartida, o governo garante exclusividade na compra desses produtos – pelos menores valores cotados no mercado mundial – durante este mesmo período

Tratamento infantil

Para os pacientes pediátricos, Farmanguinhos desenvolveu uma nova formulação de antirretroviral, que associa três princípios ativos: lamivudina 30mg + zidovudina 60mg + nevirapina 50mg.

O medicamento foi elaborado com uma formulação edulcorada, ou seja, de sabor agradável para disfarçar o gosto amargo dos três fármacos. Além disso, o comprimido deverá ser dissolvido em uma pequena quantidade de água a fim de facilitar a ingestão pelas crianças e, consequentemente, o tratamento delas.

O desenvolvimento do antirretroviral infantil vem ao encontro da política da Organização Mundial da Saúde (OMS) de estimular o estudo de formulações de medicamentos mais adequados para esta faixa etária. Farmanguinhos aguarda a concessão de registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes clínicos.

Cooperação internacional

O Brasil tem intensificado seus esforços na ajuda ao continente africano. Um exemplo desta iniciativa é a implantação da fábrica de antirretrovirais e outros medicamentos em Maputo, em ação conjunta de Farmanguinhos com a Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM).

Primeira instituição pública no setor farmacêutico do continente africano, a fábrica iniciou as operações em 2012, e produzirá 226 milhões de unidades de antirretrovirais por ano. Esta quantidade deverá beneficiar cerca de 2,7 milhões de pessoas vivendo com HIV/Aids em Moçambique.

A tecnologia para desenvolvimento e produção dos medicamentos será transferida gradualmente por Farmanguinhos à instituição moçambicana. Além dos antirretrovirais, há previsão de fabricar 21 tipos diferentes de medicamentos, entre os quais antibióticos, antianêmicos, anti-hipertensivos, anti-inflamatórios, hipoglicemiantes, diuréticos, antiparasitários e corticosteróides.

A estimativa é que a fábrica produza cerca de 371 milhões de unidades farmacêuticas por ano, incluindo antirretrovirais e demais medicamentos. Todas essas ações reafirmam a missão de Farmanguinhos em atuar com responsabilidade socioambiental na promoção da saúde pública por meio da produção de medicamentos, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, geração e difusão de conhecimento.

Fonte:

Fiocruz

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