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Saúde

SUS fará transplante de medula óssea em pessoas com doença falciforme

Novo tratamento

Procedimento aumenta a sobrevida do paciente em 90% dos transplantados. Estima-se que 25 mil a 50 mil pessoas tenham a doença no Brasil
por Portal Brasil publicado: 01/07/2015 19h15 última modificação: 01/07/2015 19h20
Divulgação/Secretaria de Ciências de Amazonas Transplantes de células tronco pode ser feito entre parentes

Transplantes de células tronco pode ser feito entre parentes

Os pacientes que sofrem com doença falciforme têm uma nova opção para o tratamento. O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o transplante de células-tronco hematopoéticas entre parentes a partir da medula óssea. Estudos demonstram que o procedimento permite um aumento de sobrevida de dois anos em 90% dos casos transplantados e em outros casos deixaram de utilizar a morfina para o controle da dor.

A doença falciforme é uma das mais frequentes doenças genéticas no Brasil, atinge sobretudo a população afrodescendente e se caracteriza pela deformidade dos glóbulos vermelhos. Estima-se que 25 mil a 50 mil pessoas tenham a doença no Brasil, que apresenta alta morbidade e mortalidade precoce.

A medida foi publicada nesta quarta-feira (1º) em Diário Oficial da União (Portaria 30), que traz a decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que recomendou a incorporação após debater o assunto com especialistas e diversos segmentos da sociedade por meio de consulta pública, com 284 contribuições.

“O Brasil, que já tem o maior sistema público de transplantes do mundo, passa agora a ter também mais alternativa terapêutica para quem têm doença falciforme. O transplante é uma arma a mais para ajudar no combate à doença e no tratamento dessas pessoas”, destaca o coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari Borba.

A partir de publicação da portaria, o Sistema Nacional de Transplantes tem até 180 dias para incluir a doença falciforme em seu regulamento técnico, de forma a garantir o acesso gratuito dos portadores que se encaixarem em critérios definidos.

O procedimento é indicado para pacientes com doença falciforme em uso de hidroxiureia que apresente, pelo menos, uma das seguintes condições: alteração neurológica devido a acidente vascular encefálico, alteração neurológica que persista por mais de 24 horas ou alteração de exame de imagem; doença cerebrovascular associada à doença falciforme; mais de duas crises vasoclusivas (inclusive Síndrome Torácica Aguda) graves no último ano; mais de um episódio de priapismo (ereção involuntária e dolorosa); presença de mais de dois anticorpos em pacientes sob hipertransfusão; ou osteonecrose em mais de uma articulação.

Tratamento 

O tratamento é feito com o uso de vacinação e penicilina nos primeiros cinco anos de vida, como profilaxia às infecções, uso regular de ácido fólico, medicamentos para a dor, uso de hidroxiuréia e, em alguns casos, transfusões de sangue de rotina.

No entanto, o uso crônico da transfusão pode ocasionar o desenvolvimento de anticorpos que tornam as transfusões menos eficazes. Assim, o transplante tem sido uma reivindicação do movimento social como uma possibilidade de contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas com doença falciforme e até mesmo por se tratar, atualmente, da única possibilidade de cura.

A doença se manifesta, na maioria das vezes, após os seis meses de vida do bebê. O “Teste do Pezinho” nos primeiros dias de vida pode fazer o diagnóstico precoce da doença. Os principais sintomas são: anemia crônica, icterícia (cor amarelada na parte branca dos olhos), mãos e pés inchados e dor intensa nos punhos e tornozelos (frequente até os dois anos de idade), crises de dores em músculos, ossos e articulações.

Expectativa de triplicar número de leitos

No final de 2014, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 2.758, que traz medidas que resultarão no aumento do número de leitos para a realização de transplantes de medula óssea até 2016. A expectativa é triplicar os leitos existentes, passando de 88 para 250. A partir de incentivo financeiro, o objetivo é ampliar a capacidade de realização de transplante de medula óssea alogênico (outro doador que não seja o próprio paciente) no País.

A pasta vai investir R$ 240 mil para abertura de cada novo leito ou ampliação dos já existentes. O recurso garante ainda a criação e a melhoria da qualificação da equipe de atendimento, a aquisição de equipamentos e materiais, além de permitir a reforma e/ou construção dos Centros de Transplantes, que hoje somam 27 unidades. Em 2003, eram apenas quatro serviços.

O transplante de medula óssea é um procedimento de alta complexidade. O paciente transplantado praticamente zera toda a capacidade de resposta imunológica, e, por isso, requer infraestrutura hospitalar que atenda requisitos de segurança, como isolamento, e uma equipe multidisciplinar qualificada para garantir o sucesso do procedimento.

 

Fonte:

Ministério da Saúde e Conitec

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