Desigualdade de gênero
Relacionados
Autonomia feminina
A autonomia das mulheres e a igualdade de gênero são reconhecidas como um dos grandes objetivos na Declaração do Milênio, adotada pelos 191 países membros das Nações Unidas para melhorar a vida de todos os habitantes do planeta até 2015.
Nela é indicada a necessidade de promover a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher como meios eficazes de combater a pobreza, a fome e as doenças, além de estimular um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
- Falta de autonomia feminina é consequência da má distribuição de poder e de renda
Mas apenas a três anos do fim do prazo para cumprir a mais importante promessa já feita às populações vulneráveis do mundo, a autonomia da mulher em todos os sentidos e o respeito aos direitos já assegurados ainda estão longe serem atingidos.
Em um amplo e recente estudo, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) afirma que, no atual nível de desenvolvimento econômico, tecnológico e social, é possível alcançar esses objetivos. Mas, alerta a Cepal, as condições materiais existentes não oferecem uma explicação razoável para a desigualdade, para a morte materna, para a gravidez na adolescência, para o emprego precário ou para a insólita concentração do trabalho doméstico não remunerado na mão das mulheres.
“Muito menos para a violência de gênero”, acrescenta a Cepal no estudo O salto da autonomia. Das margens ao centro, divulgado em novembro de 2011. Esse organismo das Nações Unidas afirma ainda que a desigualdade e, portanto, a falta de autonomia é, principalmente, consequência da injustiça, da má distribuição de poder, de renda e da falta de reconhecimento dos direitos das mulheres por parte das elites políticas e econômicas.
O caminho é longo e os desafios a serem superados ainda são gigantescos, na opinião de Anna Marcia Gallafrio, especialista em coaching (aconselhamento) para mulheres, principalmente para equilibrar trabalho, família e vida pessoal. “Mulheres que se tornaram mães e precisam voltar ao trabalho enfrentam um difícil recomeço”, diz.
Na avaliação dela, a mulher que acabou de ser mãe não é a mesma, já que sofre transformações profundas desde a gravidez. “Após esse mergulho na doação e na sua entrega ao filho, o desafio é como enfrentar a separação e a dúvida de ‘com quem deixar’ o seu bebê e como vai ficar longe dele”, explica.
Anna Marcia avalia também que são poucas as empresas que disponibilizam estruturas ou condições que permitam a adaptação da mãe à nova realidade. “Por isso, muitas mulheres acabam abandonando o emprego alguns meses depois”, afirma. De acordo com ela, a parcela de mulheres que consegue ter acesso a benefícios de estruturas e arranjos familiares introduzidos por empresas ainda é muito reduzida.
“O Brasil ainda é muito desigual. Mas gostaria de frisar que não dá para substituir a cultura machista que temos por outra feminista. A sociedade precisa entender que o papel de mãe precisa ser respeitado e valorizado”, acrescenta Anna Macia.
Fontes:
Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)
Declaração do Milênio das Nações Unidas



