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Luz del Fuego
É graças a esta dançarina de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, que 21 de fevereiro é Dia do Naturismo. Foi nesta data, em 1917, que ela nasceu, a 15ª filha dos imigrantes italianos Antonio e Etelvina Vivacqua. Foi batizada Dora Vivacqua e chegou a adotar o nome artístico Luz Divina quando se apresentava no picadeiro do Circo Pavilhão Azul, no Rio de Janeiro dos anos 1940. O nome com que entrou para a história foi inspirado em uma marca argentina de batom, lançada no mercado local em 1947.
Enquanto seu irmão Attilio seguia uma carreira política que o levaria ao Senado, Luz passou uma temporada na Europa. De volta ao Brasil, tinha se tornado adepta da alimentação vegetariana e, principalmente, do nudismo, que estava em alta entre os europeus. Enquanto se apresentava, seminua, com duas cobras jiboias enroladas em seu corpo, ela criava, em 7 de setembro de 1949, o Partido Naturalista Brasileiro, pelo qual se candidatou a deputada federal – mas não foi eleita.
A ousadia foi mais longe: em 1954, Dora conseguiu da Marinha a concessão da ilha Tapuama de Dentro, no Rio de Janeiro (o dinheiro para comprar o território veio de seus espetáculos, muito populares). Surgia ali, neste local de oito mil metros quadrados, agora rebatizado Ilha do Sol, o Clube Naturalista Brasileiro, o primeiro do gênero no País.
“Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano”, ela escreveu. “Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder”. Estiveram em sua ilha atores do porte de Ava Gardner, Tyrone Power, Cesar Romero, Lana Turner, Glenn Ford, Steve MacQueen e Brigitte Bardot. Jayne Mansfield foi barrada na entrada por se recusar a tirar as roupas – e a nudez era obrigatória dentro da ilha, mas era proibido beber e praticar sexo no local.
- Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano”, ela escreveu
O projeto de Luz del Fuego incomodou muita gente. Em 19 de julho de 1967, dois jovens criminosos que ela havia denunciado, Alfredo Teixeira Dias e Mozart Gaguinho, soltaram o barco da dançarina na Ilha do Sol. Depois disso, foram a sua casa e a convenceram a subir no barco da dupla, sob o pretexto de resgatar o seu. Foi agredida com um cacetete na cabeça. Com três golpes, estava morta, aos 50 anos. Seu caseiro Edgar também foi assassinado. Os dois corpos foram jogados no fundo do mar. Desde então, a ilha está deserta.
Mas o legado da dançarina foi preservado. Considerada um ícone do feminismo brasileiro e do movimento naturalista, que se concentrou, em especial, no Rio de Janeiro, em Brasília, Porto Alegre e Ubatuba. Nos anos 1980, surgiu um novo foco do naturismo na Praia do Pinho, em Camboriú, Santa Catarina. Na mesma época, Lucélia Santos estrelava Luz del Fuego, um filme em homenagem à dançarina dirigido por David Neves. Desde 1994, a Praia do Abricó, ocupada por naturistas dos anos 1960 por influência de Dora, é oficialmente um ponto de nudismo. Hoje, o Brasil tem estimados 300 mil naturistas.
Fonte:
Luz del Fuego – A Bailarina do Povo, Cristina Agostinho, Criarteinfo, 1989



