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Pagu

A escritora paulista Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, foi precoce durante toda a vida. Desde o romance aos 19 anos com Oswald de Andrade, que o fez terminar o casamento com a pintora Tarsila do Amaral, à condição de uma das principais jornalistas brasileiras, que entrevistou Sigmund Freud e assistiu à posse do último imperador chinês, Pu-Yi (de quem conseguiu sementes de soja, que introduziu na nossa economia agrícola). Pagu está entre as mulheres mais importantes do século 20 no Brasil.

Nasceu em 9 de junho de 1910 em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Dois anos depois se mudou com os pais para a capital paulista, de onde saiu apenas para morar em Santos, no fim da vida. Dona de uma sensibilidade e curiosidade incomuns (além da beleza), logo se envolveu com a elite intelectual paulistana, toda de origem burguesa, como ela.

A Tribuna Aos 20 anos, militante, incendiou o bairro do Cambuci em protesto contra o governo provisório Ampliar
  • Aos 20 anos, militante, incendiou o bairro do Cambuci em protesto contra o governo provisório

Aos 20 anos, militante, incendiou o bairro do Cambuci em protesto contra o governo provisório. Aos 21, tornou-se a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, por ter se manifestado num comício. Logo ganhou o título informal de diva do movimento antropofágico, cerne do movimento modernista brasileiro.

Segundo seu biógrafo, o poeta Augusto de Campos, o apelido Pagu foi dado por acidente pelo poeta Raul Bopp. Em versos escritos para a então Zazá (apelido de infância), Bopp pensou que seu nome fosse Patrícia Goulart e brincou com essas iniciais no título: “O coco de Pagu”. O erro – e o apelido – pegaram.

Diferente das moças da época, Pagu usava roupas transparentes, fumava e dizia palavrões. Depois de casada com Oswald, teve seu primeiro filho, Rudá de Andrade, e publicou em 1933 o romance Parque Industrial, sob o pseudônimo de Mara Lobo, considerado o primeiro romance proletário brasileiro. Nesse mesmo ano partiu para uma viagem pelo mundo, quando estreou como repórter.

Em 1935, filiou-se ao PC na França. Lá, foi presa como comunista estrangeira, com identidade falsa, ia ser deportada para a Alemanha nazista, quando o embaixador brasileiro Souza Dantas conseguiu mandá-la de volta ao Brasil. Separou-se definitivamente de Oswald na volta e retomou a atividade jornalística. Mas foi novamente presa e torturada pelas forças do Estado Novo, e ficou na cadeia por cinco anos.

Desligou-se do PCB em 1940, assim que saiu da prisão. Passou a escrever para os jornais A Vanguarda Socialista e no suplemento literário do Diário de S. Paulo. Em 1945, Pagu casou-se com Geraldo Ferraz, jornalista da Tribuna de Santos, cidade na qual passaram a viver, onde teve seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz, e onde ficaria até a morte.

Nos anos 50 tentou sem sucesso uma vaga de deputada estadual e frequentou a Escola de Arte Dramática de São Paulo, produzindo apresentações em Santos. Ficou conhecida como grande animadora cultural e dedicou-se em especial ao teatro, no incentivo a grupos amadores.

Pagu morreu em 1962 em decorrência de um câncer (chegou a ser tratada em Paris). A última publicação dela data de dois dias antes de sua morte, o poema Nothing (nada, em inglês).

Hoje, a escritora dá nome ao Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) .

Fontes:
Ministério da Cultura
Oficina Cultural Pagu

 

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