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Affonso Eduardo Reidy (1909-1964)

Dono de um estilo econômico, exato e pontuado por uma constante sensibilidade social, Affonso Eduardo Reidy, nascido em Paris, em outubro de 1909, foi um dos mais importantes nomes do pensamento arquitetônico nacional. Naturalizado brasileiro, trabalhou na elaboração do Plano Diretor da cidade do Rio de Janeiro, como assistente do urbanista francês, Alfred Agache, quando ainda estudava na Escola Nacional de Belas Artes. Logo após a formatura, em 1930, se tornaria professor da instituição, atuando primeiramente como assistente de Gregori Warchavchik e, mais tarde, como titular.

Reidy foi daqueles talentos enfreáveis. Em 1931, venceu o concurso para a edificação do Albergue da Boa Vontade, no Rio, sendo em seguida convidado a ocupar o posto de arquiteto-chefe do então Distrito Federal. Também integrou, ao lado de Lúcio Costa e Niemeyer, o grupo que concretizou o sonho da construção do grande marco fundamental da arquitetura moderna brasileira: o edifício do Ministério da Educação e Saúde. Com o planejamento do conjunto residencial Pedregulho (1947-1952), em São Cristóvão (RJ), Reidy se torna precursor dos projetos de habitação social no país. O trabalho lhe rendeu o primeiro prêmio da Exposição Internacional de Arquitetura da I Bienal de São Paulo, em 1951. Conjugar apuro formal e preocupações sociais foi o norte de Reidy ao longo de toda a sua trajetória.

Centro de Documentação do MAM/RJ Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) projetou a urbanização do Rio de Janeiro Ampliar
  • Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) projetou a urbanização do Rio de Janeiro

Em 1948, como diretor do Departamento de Urbanismo do Rio de Janeiro, comandou o projeto de urbanização do centro da cidade, com a forte crença no caráter revolucionário da arquitetura, no seu papel de, ao criar novas condições urbanas, modificar hábitos sociais. Um de seus mais importantes projetos, o Museu de Arte Moderna do Rio (1953), fincou à beira-mar um grande conjunto de concreto aparente que trava um equilibrado diálogo com a natureza: as montanhas, a Baía de Guanabara e ainda o futuro Aterro do Flamengo, que ele mesmo ajudaria a desenhar entre 1962 e 1964, adaptando a cartilha do pensamento urbano moderno às realidades locais.

Sua gramática arquitetônica foi poucas vezes aplicada em construções residenciais. Merece destaque o projeto feito para a casa da engenheira e grande companheira, Carmen Portinho, no bairro de Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Fiel ao próprio estilo — impresso na sobriedade, atenção ao conforto e à praticidade —, Reidy deixou uma marca inconfundível na arquitetura brasileira e deu grande projeção internacional às idéias nacionais.

Morreu precocemente aos 55 anos, em 1964. Empenhou-se por toda a vida na tarefa de definir o espaço de um novo país que queria ver erguido.

Fonte
Livro 100 Brasileiros (2004)

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Imagem de fundo: Arte sobre foto de Christian Knepper/Embratur Hospedado no Serpro