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Formas brasileiras

A mistura de povos, a formação social e o tipo de colonização aplicada no Brasil tiveram desdobramentos em todos os aspectos da cultura nacional, incluindo a forma como são desenhadas as habitações, os prédios públicos, as cidades. Apesar de essa ser a história também de outros países da América Latina, o Brasil tem diversas particularidades no que diz respeito à arquitetura e ao urbanismo.

De acordo com o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Andrey Rosenthal Schlee, é interessante analisarmos as adaptações ao clima local, em diferentes momentos da história.

“Foi uma necessidade que proporcionou um conjunto de pesquisas tipológicas significativas e uma gama de experimentos tecnológicos impressionantes.” Um exemplo é o Teatro José de Alencar, de Fortaleza, modelo de associação da arquitetura tradicional com a leveza e a transparência do ferro. “É um teatro-jardim bastante apropriado ao clima do local.”

Acontece o mesmo com os edifícios modernistas da Escola Carioca, uma arquitetura que, entre outros atributos, notabilizou-se pela grande preocupação com a ideia de expressão de uma identidade nacional, seja por meio da repetição de soluções arquitetônicas consideradas emblemáticas ou da valorização das características da vida no País.
O Brasil tem diversos marcos arquitetônicos muito importantes para o desenvolvimento da cultura nacional – e também alguns arquitetos reconhecidos internacionalmente, como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, José Carlos Serroni.

Cada época tem expressão própria e reflete situações e contextos bastante específicos. É o caso do barroco mineiro ou do modernismo carioca, mas também do nosso belo ecletismo.

Colocadas lado a lado, as habitações Yawalapiti (“xinguanas”), as moradas rurais paulistas que alguns denominam de “casas bandeirantes” e os primeiros blocos residenciais das superquadras de Brasília mostram a riqueza e a diversidade de construções que só existem no Brasil.
Daí a importância de órgãos de preservação ativos e conscientes. Segundo a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Maria Lúcia Bressan Pinheiro, há um grau de “relativo desconhecimento” a esse respeito em que até hoje nos encontramos.

“Embora avanços venham sendo alcançados, persistem muitas lacunas no estudo e documentação da arquitetura brasileira”, analisa em seu livro A Arquitetura Popular no Brasil.

Fontes:
Iphan
Livro A Arquitetura Popular no Brasil, de Maria Lúcia Bressan Pinheiro, FAU-UP