Arquitetura
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João Filgueiras Lima Lelé (1932)
João Filgueiras Lima, ou simplesmente Lelé, acredita no acaso. Diz que por conta dele chegou à arquitetura. Nascido no Rio de Janeiro tentou a vida de músico tocando em boates da noite carioca. Pouco depois de formado pela Faculdade Nacional de Arquitetura, em 1955, aceitou o convite de Oscar Niemeyer para participar da construção de Brasília. Durante o heróico processo que fez nascer a nova capital, deu início ao uso da argamassa armada, que se tornaria o material recorrente em sua obra, marcada por construções pré-fabricadas e econômicas.
A adequação à realidade brasileira foi um dos principais alicerces de seu trabalho. Lelé levou bem longe a cartilha moderna de fazer da arquitetura um instrumento para tornar o mundo melhor. Ficou conhecido como o arquiteto criador de escolas, hospitais e cidades mais amenas e humanas.
Para Lúcio Costa, autor do plano piloto de Brasília, Lelé era o construtor da arquitetura brasileira, enquanto Niemeyer seria o criador e ele próprio, a tradição. Implantando passarelas coloridas, bancos de
rua e abrigos de ônibus, Lelé fez com projetos de urbanização na década de 70, um agradável convite à vida coletiva na cidade de Salvador, Bahia. No Rio de Janeiro, também é possível reconhecer sua marca em vários projetos, entre os quais o dos CIAC (Centros Integrados de Apoio à Criança).
Dotado de um olhar ao mesmo tempo humanista e racionalista, Lelé desenvolveu, em 1980, o primeiro hospital da rede Sarah Kubitschek, em Brasília, centro de referência internacional no tratamento do aparelho locomotor. Continuou trabalhando em todos os projetos de expansão da rede em diversas regiões do país. "Por que você tem de ficar numa terapia intensiva cheio de equipamentos e sem contato com o verde e com a luz do dia?", questionava o arquiteto. A resposta foi dada nos projetos que criaram espaços arejados, usando ventilação e iluminação naturais. As cores sempre foram grandes aliadas na tentativa permanente de driblar ambientes frios e a paisagem urbana acinzentada.
Durante toda a trajetória, Lelé tem aplicado seu talento a obras de interesse público, cultivando um especial interesse pelo desenvolvimento contínuo de novas técnicas e materiais, procurando, dessa forma, soluções para os desafios do mundo social contemporâneo. Durante os mais de quarenta anos de atividade, conseguiu dar carimbo pessoal a suas obras sem nunca se repetir. Lelé faz parte, assim, da genealogia criativa da arquitetura brasileira. A mesma de mestres como Niemeyer, Lúcio Costa, Reidy e Vilanova Artigas que ajudaram a dar fisionomia própria ao país.
Fonte
Livro 100 Brasileiros (2004)



