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Grande Otelo (1915-1993)

Ele só tinha 1,50m de altura, mas o cinema brasileiro nunca conheceu um tipo popular maior que Grande Otelo, também eleito na Categoria Teatro. Comediante genial, que formou dupla com Oscarito em dezenas de filmes na época de ouro das chanchadas e comédias da Praça Tiradentes e do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, Otelo era também um ator dramático de talento. Nos anos 50 e 60, foi adotado pelo Cinema Novo: trabalhou em Rio Zona Norte (1957) e foi chamado por Joaquim Pedro de Andrade para encarnar Macunaíma (1969), personagem que ele jurava ter ajudado Mário de Andrade a construir.

Mineiro, nascido em Uberlândia em 1915, Sebastião Bernardes de Souza Prata estreou no picadeiro, quando o circo da cidade precisava de um garoto para contracenar com o palhaço. O pai morreu esfaqueado e quando a mãe alcoólatra se casou outra vez, ele aproveitou a visita de uma companhia de teatro mambembe à cidade para escapulir.

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  • Grande Otelo (1915-1993)

 

O negrinho fujão que sabia cantar e fazer graça decidiu então se aventurar no Rio de Janeiro e em São Paulo, em busca de sua verdadeira vocação: ser ator. Nos anos 20, integrou a Companhia Negra de Revistas, cujo maestro era Pixinguinha. Em 1932, entrou para a Companhia Jardel Jércolis (pai do ator Jardel Filho e um dos pioneiros do teatro de revista), quando ganhou o apelido que o consagrou. Inicialmente era chamado pelos colegas de Pequeno Otelo, por motivos óbvios, mas ele próprio corrigiu o apelido para The Great Otelo e, mais tarde, o abrasileirou. Grande Otelo aparece pela primeira vez na tela em Noites Cariocas, de 1935, ao qual se seguiram Futebol e Família (1939) e Laranja da China (1940), que lhe deram fama suficiente para ser chamado para trabalhar no primeiro filme produzido pela Atlântida: Moleque Tião, de 1943.

O sucesso se consolidou quando formou dupla com outro grande mito do cinema nacional: Oscarito. Juntos, participaram de mais de dez chanchadas, como Carnaval no Fogo, Aviso aos Navegantes e Matar ou Correr. Durante a filmagem de Carnaval no Fogo, uma tragédia abalou a vida do ator: sua mulher matou o filho do casal, de seis anos de idade, e se suicidou em seguida. Otelo filmava a cena em que fazia o papel de Julieta, e Oscarito, o de Romeu, sem saber de nada. Abalado, só conseguiu assistir à cena 30 anos depois. Nos mais de cem filmes em que atuou, Grande Otelo trabalhou com grandes diretores, nacionais e internacionais.

Em 1942, participou de It’s all true, filme realizado por Orson Welles no Brasil, e, 40 anos depois, em Fitzcarraldo (1982), do alemão Werner Herzog, filmado na selva do Peru. Em 1993, um ataque do coração fulminou o pequeno Grande Otelo, a caminho de Paris, para uma homenagem que receberia no Festival de Nantes.

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

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Imagem de fundo: Arte sobre foto de Christian Knepper/Embratur Hospedado no Serpro