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Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988)

A casa de Joaquim Pedro de Andrade foi o palco em 1957, dos debates que desaguaram no movimento Cinema Novo. Joaquim Pedro foi integrante da geração de diretores que queria romper com modelos estéticos internacionais, associando o cinema a preocupações sociais e a uma reflexão profunda sobre a cultura e a identidade brasileiras.

Joaquim Pedro nasceu no Rio de Janeiro, em 1932 e, influenciado pelo professor e cineclubista Plínio Sussekind Rocha, dirigiu seus primeiros curtas em 1959, O Poeta do Castelo e O Mestre de Apicucos. Graças a esses dois trabalhos, ganhou uma bolsa para estudar cinema em Paris e Londres.

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  • Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988)

De volta ao Brasil, dirigiu o 4º episódio do clássico Cinco Vezes Favela, em 1961, Couro de Gato. Seu primeiro longa-metragem de sucesso foi o documentário Garrincha, Alegria do Povo (1963). Influenciado pelo Kino-Pravda, o cinema-verdade soviético, Joaquim Pedro faz um retrato fiel do último craque popular da fase heróica do futebol-arte brasileiro. Todo o filme parece ter sido construído a partir da epígrafe de Nelson Rodrigues: “Se fôssemos 75 milhões de Garrinchas, que país seria este, maior que a Rússia, maior que os Estados Unidos”. O gosto por retratar heróis da nacionalidade retorna no curta Aleijadinho (1978), com roteiro de Lúcio Costa, no qual a obra do artista mineiro assume na tela a dimensão de um balé barroco.


Inspirado por um poema de Carlos Drummond de Andrade, o mal compreendido O Padre e a Moça, de 1965, foi definido por Glauber Rocha como “um exercício de estilo da alma”. Mas a obra-prima de Joaquim Pedro de Andrade é mesmo Macunaíma (1969), adaptação do romance de Mário de Andrade, que criou o herói sem caráter, personificado na tela por Grande Otelo. Com esse filme, o diretor assumiu uma posição crítica em relação ao Cinema Novo, que acusava de não conseguir dialogar com o grande público. Para Joaquim Pedro, naquele momento difícil do país, o compromisso do artista devia ser assumir o lado moderno do cinema, que estava justamente na sua capacidade de se comunicar com a massa, transmitindo valores culturais, sociais e políticos de forma mais acessível.

Influenciado pela obra sociológica de Gilberto Freyre e pela poesia de Manuel Bandeira, Joaquim Pedro de Andrade conciliou a sensibilidade artística com uma reflexão pioneira sobre as relações perigosas entre o consumo e a produção cultural e artística. Em seus filmes seguintes, Os Inconfidentes (1972), Guerra Conjugal (1975) e O Homem do Pau Brasil (1981), o cineasta, morto em 1988, manteve-se fiel ao seu projeto de fazer um cinema autoral, livre de preconceitos, enraizado na cultura brasileira e, ao mesmo tempo, acessível ao grande público.

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004) 

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Imagem de fundo: Arte sobre foto de Christian Knepper/Embratur Hospedado no Serpro