Fotografia
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Retratos do Brasil
Durante a Revolução Industrial, o processo de transformação econômica, social e cultural culmina numa série de invenções. Surgida nesse contexto, a fotografia teve um papel fundamental enquanto disseminador de informação e conhecimento, suporte à pesquisa nos diferentes campos da ciência e, também, como uma revolucionária forma de expressão artística.
Desde sua aparição, em meados do século XIX, conquistou espaço no cotidiano das pessoas, retratando costumes, artes e cultura.
A primeira demonstração pública do que viria a se tornar o que hoje conhecemos como fotografia aconteceu em Paris, em agosto de 1839, numa sessão das Academias de Belas-Artes e Ciências. Em homenagem ao seu criador, Louis-Jaques Daguerre, o experimento foi batizado como daguerreotipia – imagens eram formadas sobre uma fina camada de prata polida, aplicada sobre uma placa de cobre que, posteriormente, era sensibilizada em vapor de iodo.
O Brasil recebeu a novidade apenas cinco meses depois do evento em Paris. Em 17 de janeiro de 1840, ela aportou no Rio de Janeiro por meio de um amigo de Daguerre, o religioso Louis Compte. Foi ali, na Praça Quinze de Novembro, coração da capital do Império, que Compte demonstrou seu equipamento de daguerreotipia, em março de 1840.
O abade produziu três vistas da região central da capital, mostrando o Paço Imperial, o chafariz do Mestre Valentim e o antigo Mercado da Candelária.
Um jovem importante acompanhou o evento, encantado: Dom Pedro II. Fotógrafo apaixonado, o imperador contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da arte no País. Em viagem a Paris, em 1840, comprou um daguerreótipo e, com menos de 15 anos, já registrava as primeiras impressões sobre o Brasil por meio do equipamento.
Graças a ele surgiu a primeira coleção de fotografia do Brasil, que foi doada à Biblioteca Nacional depois da partida da família real portuguesa.
No século XIX, o Brasil já contava com profissionais de fotografia de grande peso, como Marc Ferrez e Militão de Azevedo. A paisagem carioca, que já era um grande tema para as artes plásticas, tornou-se uma constante também na fotografia.
O século XX, mais precisamente a década de 1940, é considerado um momento de virada na estética moderna da fotografia brasileira, quando a produção começou a deixar o aspecto documental para se tornar uma expressão artística. Surgem os primeiros clubes de fotografia, como o Foto Clube Bandeirante, em São Paulo, do qual fazia parte Thomaz Farkas .
Também nesse período tem início a produção do fotojornalismo em revistas e jornais como O Cruzeiro, Jornal do Brasil, Manchete e Última Hora. Surge a primeira geração de fotojornalistas como Jean Manzon, que depois seria seguido por nomes como Walter Firmo , Claus Meyer e Gervásio Batista.
Nesse mesmo momento o mercado publicitário passava por um grande crescimento no Brasil. Chico Albuquerque foi um dos maiores precursores na área, mais tarde tendo como companheiros e discípulos nomes como Klaus Mitteldorf, Bob Wolfenson e Luis Crispino.
Em meados da década de 1960, a revista Realidade acolheu talentos vindos do exterior, como David Drew Zingg, Maureen Bisilliat e Claudia Andujar . As revistas semanais ganharam força no mercado de publicações e serviram de esteio para fotógrafos como Orlando Brito, Egberto Nogueira e João Bittar.
Junto com a expansão do mercado profissional de fotografia nos anos de 1950 e 1960, museus e galerias de arte recebiam cada vez mais trabalhos, que oscilavam entre documentais e experimentais. Entre os nomes mais importantes do Brasil nesta área está o de Sebastião Salgado . Outros de grande importância são Miguel Rio Branco, Claudia Jaguaribe e Pedro Martinelli , que se somam aos destaques da fotografia autoral, ainda que trabalhando para as publicações tradicionais.
Distante das redações e das galerias de arte, nos anos 1970, o jornalismo independente surgiu na forma das agências como a Image Latina, Focontexto, F4, Ágil, Fotograma e ZNZ, nas quais atuaram fotógrafos como Nair Benedicto , Rogério Reis , Juca Martins. Rosa Gauditano, Emidio Luisi, entre outros.
As primeiras oficinas e escolas de fotografia no País surgiram neste período, como a Enfoco e a Imagem e Ação, em São Paulo, que buscavam a formação de profissionais mais autorais. Entretanto, hoje há cursos de diferentes níveis (do técnico à pós-graduação) e especializações espalhados por todo o País.
A qualificação apura nos interessados a vontade de entender essa profissão como uma nova forma de ver o mundo e a registrá-lo, que é o grande desafio e a alma da fotografia.
Fontes:
Ministério da Cultura
A Fotografia no Império, de Pedro Karp Vasquez (Editora Jorge Zahar, 2002)
Fotografia & História, de Boris Kossoy (Ateliê Editorial, 2001)



