Fotografia
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Maureen Bisilliat (1931)
Nascida em Englefield Green em 1931, Sheila Maureen Bisilliat teve como país natal a Inglaterra, mas naturalizou-se brasileira. Ao buscar inspiração na literatura nacional, imprimiu a seu trabalho uma relação das mais interessantes entre a fotografia e a prosa.
Filha de uma pintora de origem irlandesa e um diplomata de ascendência italiana, Bisilliat desde jovem foi dona de um espírito errante e curioso, que influenciou definitivamente sua obra. Antes de se estabelecer no Brasil, nos anos 1950, viveu na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos.
Na juventude foi aluna de pintura de André Lhote em Paris, em 1955, e de Morris Kantor na Art Students League de Nova York. Veio ao Brasil pela primeira vez em 1952 e, cinco anos depois, se estabeleceu na cidade de São Paulo, onde decidiu trocar a pintura pela fotografia.
Bisilliat trabalhou como fotojornalista para a Editora Abril, entre 1964 e 1972, na revista Quatro Rodas. Mas seu trabalho mais marcante dessa época foi na extinta e mítica revista Realidade, ao lado de outros nomes de peso na fotografia da época e da atualidade, como Claudia Andujar e Walter Firmo.
Nessa publicação ela realizou um dos seus mais importantes ensaios, Caranguejeiras, que registrou o trabalho das coletoras de caranguejos em um mangue de Pernambuco. Maureen preferiu não retratá-las como vítimas de suas duras condições de vida, mas pessoas de movimentos belos e poéticos.
Inspirada pela paixão pela literatura do Brasil que adotou como pátria, nos anos 1960, fotografou e editou livros inspirados em obras de grandes escritores brasileiros, buscando mostrar cenas tais como as relatadas por eles. Entre eles João Guimarães Rosa, em 1966; Visita, em 1977 (do homônimo de Carlos Drummond de Andrade); Sertão, Luz e Trevas, em 1983, (do célebre livro de Euclides da Cunha); O Cão sem Plumas, em 1984, (do poema de mesmo título de João Cabral de Melo Neto); Chorinho Doce, em 1995 (dos poemas de Adélia Prado), e Bahia Amada Amado, em 1996, de uma seleção de textos de Jorge Amado. Também fotografou e editou Xingu Território Tribal, em 1979, e Terras do Rio São Francisco, em 1985.
Seu gosto por ligar a imagem ao texto fez com que passasse a dedicar-se também ao vídeo, com destaque para Xingu/Terra, documentário de longa-metragem rodado com Lúcio Kodato na aldeia mehinaku, no Alto Xingu, norte do estado de Mato Grosso. No início dos anos 1990 realizou um trabalho de resgate de memória do Carandiru composto por fotos, vídeos, testemunhos e entrevistas.
Entre 1972 e 1992 fundou a Galeria O Bode, especializada em arte popular. Nesse período, viaja pelo Brasil em busca de trabalhos de artistas populares e artesãos, para compor o acervo da galeria.
Paralelamente a isso, em 1988, Bisilliat foi convidada pelo antropólogo Darcy Ribeiro a trabalhar na formação do acervo de arte popular latino-americano da recém-criada Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo.
Nessa empreitada, percorreu México, Guatemala, Equador, Peru e Paraguai, garimpando peças para a coleção permanente do Pavilhão da Criatividade do Memorial, do qual Maureen é curadora até os dias de hoje.
Sua obra fotográfica completa, com mais de 16 mil imagens, que inclui fotografias, negativos preto e branco e cromos coloridos, foi incorporada ao acervo do Instituto Moreira Salles, em dezembro de 2003.
Fonte:
Instituto Moreira Salles



