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Literatura

Euclides da Cunha (1866-1909)

Quando publicou, Os Sertões, em 1902, Euclides da Cunha estava redescobrindo e reinventando o Brasil. Verdadeiro monumento da nossa literatura, o livro foi o primeiro a revelar, por vezes com crueldade e pessimismo, um país profundo e autêntico, desconhecido nos grandes centros, até então acostumados a Peris, Cecis e outros ícones do nosso Romantismo. Euclides mostrava o contraste cultural nos dois Brasis: o do sertão e o do litoral. E denunciava os traços e condições reais do sertanejo, do jagunço, da sub-raça que habitava o nordeste brasileiro.

Euclides criticava o nacionalismo exacerbado da população litorânea que não enxergando a realidade daquela sociedade mestiça, produzida pelo deserto, agia às cegas e ferozmente. Seu objetivo era descrever o que séculos de atraso e miséria são capazes de produzir numa região isolada, cultural e geograficamente, do resto do país: um líder fanático e o delírio coletivo de uma população, até então, conformada.

George Huebner/Acervo Particular Euclides da Cunha (1866-1909) Ampliar
  • Euclides da Cunha (1866-1909)

Nascido em Cantagalo, no Rio de Janeiro, em 1866, Euclides da Cunha perdeu a mãe aos três anos, sendo criado pelas tias, na Bahia. De volta ao Rio, estudou na Escola Politécnica e, em seguida, na Escola Militar, onde se tornou conhecido pelo ardor republicano.

Em 1888, por desacato ao ministro da Guerra, a quem chamou de lacaio da monarquia, foi expulso da instituição. Com a proclamação da República, retornou à carreira militar, formando-se em Engenharia Militar e Ciências Naturais. Mas, em 1896, descontente com o rumo tomado pela República, rompeu definitivamente com o Exército, estabelecendo-se em São Paulo. Foi como repórter do jornal, O Estado de S. Paulo que Euclides fez a cobertura da Campanha de Canudos e da tragédia de Antonio Conselheiro, em 1897, obtendo o vasto material com que elaboraria sua grande obra.

Desligado do jornal, foi contratado como engenheiro para planejar uma ponte em São José do Rio Pardo (SP). Lá escreveu Os Sertões, em um barracão de madeira, hoje preservado como uma relíquia. Euclides concluiu a ponte e o livro ao mesmo tempo. A publicação de Os Sertões foi um marco na vida intelectual do Brasil. Livro único, sem igual em outras literaturas, combina o ensaio, a história, as ciências naturais, a epopéia, o lirismo, o drama, resultando na definitiva conquista da consciência de brasilidade pela intelectualidade do país.

Destacam-se também, entre as obras de Euclides da Cunha, Contrastes e confrontos (1907), Peru versus Bolívia (1907) e À margem da história (1909). O escritor teve uma morte trágica: no dia 15 de agosto de 1909, ele invadiu a residência do cadete Dilermando de Assis, amante de sua esposa Anna, e foi morto a tiros, num episódio que ficou conhecido como a tragédia da Piedade. 

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

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Imagem de fundo: Arte sobre foto de Christian Knepper/Embratur Hospedado no Serpro