Literatura
Guimarães Rosa (1908-1967)
O médico, diplomata e escritor João Guimarães Rosa foi um dos maiores intelectuais brasileiros dispostos a entender, dialogar, ressignificar e transpor para a cultura erudita o cotidiano do sertanejo brasileiro.
Inovador na linguagem, tanto na construção das frases sem pontuação tradicional como na criação de palavras (bilistroca, sovacar e desmim, entre centenas), escreveu contos e romances centrais da literatura brasileira moderna, como Grande Sertão: Veredas (1956), Sagarana (1946) e Campo Geral (1964).
- Autor assinou contos e romances centrais da literatura brasileira moderna, como Grande Sertão: Veredas (1956), Sagarana (1946) e Campo Geral (1964)
Nascido em Cordisburgo (MG) em 27 de junho de 1908, era o primeiro dos seis filhos de D. Francisca (Chiquitinha) Guimarães Rosa e de Florduardo Pinto Rosa, "seu Fulô", comerciante e caçador de onças. Depois dos estudos secundários, estabeleceu-se em Belo Horizonte para estudar no Colégio Arnado, de padres alemães. Começou ali a dominar idiomas.
Uma das declarações mais célebres: “Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado). (…) E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.”
Em 1925, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Segundo um colega de turma, Dr. Ismael de Faria, no velório de um estudante vitimado pela febre amarela, em 1926, teria Guimarães Rosa dito outra frase célebre: "As pessoas não morrem, ficam encantadas", que seria repetida 41 anos depois por ocasião de sua posse na Academia Brasileira de Letras.
Estreou nas letras em 1929, ainda estudante. Escreveu quatro contos: Caçador de camurças, Chronos Kai Anagke (título grego, significando Tempo e Destino), O mistério de Highmore Hall e Makiné, para um concurso promovido pela revista O Cruzeiro. Todos os contos foram premiados e publicados com ilustrações.
Com a publicação do livro de contos Sagarana, em 1946, Guimarães colocou o regionalismo em destaque na literatura ao mesmo tempo que imprimia a sua estética universal tão característica.
O livro póstumo Estas estórias (1969) é composto pelo conto Entremeio: Com o vaqueiro Mariano, criado após uma longa excursão do autor pelo estado de Mato Grosso em 1952. Este contato com a vida sertaneja inspirou Rosa para criar sua grande obra, Grande Sertão: Veredas, único romance escrito por ele.
Três dias antes de morrer, aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967, Guimarães Rosa decidiu assumir a cadeira na Academia Brasileira de Letras, depois de negá-la por quatro anos. No mesmo ano, ele seria indicado para o prêmio Nobel de Literatura, mas a indicação foi barrada pela morte do escritor.
Fontes:
Fundação Guimarães Rosa
Academia Brasileira de Letras



