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Literatura

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

A obra de João Cabral de Melo Neto desencadeou uma revolução formal na linguagem poética brasileira, incorporando as conquistas estéticas mais radicais do século XX. Em contraposição à corrente dominante da poesia nacional, tradicionalmente retórica, sentimental e ornamental, João Cabral construiu uma poesia objetiva, anti-lírica e anti-confessional. Uma poesia de concretude, presa à realidade e dirigida ao intelecto, não ao coração. 

Apesar de ser contemporâneo da chamada geração de 45, que propunha um retorno às formas rígidas do verso e negava as experimentações modernistas, João Cabral seguiu um rumo próprio, exercendo uma influência decisiva sobre a vanguarda brasileira das décadas de 50 e 60, em especial o Concretismo.

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  • João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

Em 50 anos de intensa atividade literária, publicou 18 livros de poemas e dois autos dramáticos: Morte e Vida Severina e Auto do Frade. Marcado pelo período em que viveu na Espanha, onde trabalhou como diplomata, escreveu também um importante ensaio sobre o pintor catalão, Joan Miró, ilustrado pelo próprio, em 1950. Interessado em arquitetura e artes plásticas, João Cabral também dialogou, em sua poesia, com Mondrian e Le Corbusier.

Descendente de tradicionais famílias de Pernambuco e da Paraíba, João Cabral nasceu no Recife em 1920, e passou a infância em engenhos de açúcar. O contato com os trabalhadores da usina foi uma experiência fundamental para o poeta compreender a verdadeira realidade do nordeste. Seu universo poético se divide em dois grupos: os poemas experimentais, arquitetônicos, que refletem sobre o próprio fazer poético; e os poemas de cunho social, que falam sobre o homem do nordeste, a fome, a miséria e as desigualdades sociais. Seu mundo é o da zona da mata e do sertão nordestino. Sua poesia remete o leitor às cidades de Olinda e de Recife, com seus casarões antigos, seus rios importantes como o Beberibe e o Capibaribe, e aos canaviais da zona da mata pernambucana. Mas também evoca a vegetação escassa da caatinga e a dor do agreste brasileiro. Por isso mesmo, dois de seus livros, Pedra do sono (1942) e A educação pela pedra (1966), trazem no título a idéia de pedra, símbolo da secura sertaneja e do solo pedroso da região.

Personalidade sensível, obsessiva, angustiada e fascinante, João Cabral recebeu inúmeros prêmios literários importantes e foi, muitas vezes, cogitado para o Nobel de Literatura. Nos últimos anos de vida estava quase cego e enfrentava muitos problemas de saúde. Mesmo assim o poeta continuava com grande vitalidade intelectual. Exigente e corajoso, nunca se sentia plenamente satisfeito como criador. Considerava sua obra ainda em processo. Poesia é risco, costumava dizer.

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

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Imagem de fundo: Arte sobre foto de Christian Knepper/Embratur Hospedado no Serpro