Literatura
Jorge Amado (1912-2001)
Filho de um fazendeiro de cacau, Jorge Amado nasceu numa fazenda em Itabuna, no sul da Bahia, em 1912. No ano seguinte, uma epidemia de varíola obrigou a família a se estabelecer na cidade de Ilhéus, onde passou a infância e foi alfabetizado pela mãe, antes de estudar em um colégio jesuíta em Salvador. Com apenas 15 anos, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de tendência modernista.
Amado publicou, em 1931, O país do carnaval, seu primeiro romance, de aguçada crítica política. Já radicado no Rio de Janeiro, conheceu nos anos seguintes Vinicius de Moraes, Rachel de Queiroz e Gilberto Freyre. Depois de uma viagem ao sul da Bahia, impressionado com a vida dos trabalhadores da região, escreveu Cacau (1933). Decidido a fazer do romance um instrumento de luta social, iniciou uma fértil produção, publicando os romances Suor, Jubiabá, Mar Morto, Capitães da Areia, entre 1934 e 1937.
Formado em Direito, foi redator-chefe das revistas Dom Casmurro e Diretrizes e intensificou sua militância comunista, combatendo os abusos do Estado Novo. Perseguido, teve seus livros queimados e conheceu o primeiro exílio. Voltou ao Brasil em 1944, após longas viagens pela América Latina e foi eleito no ano seguinte membro da Assembléia Nacional Constituinte, pelo Partido Comunista Brasileiro. Amado foi autor da lei, ainda em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Em 1947, o PCB foi declarado ilegal.
Já casado com Zélia Gattai e com um filho, Amado voltou a se exilar com a família, desta vez na França, onde ficou até 1950, e na Tchecoslováquia, onde nasceu sua filha Paloma. Nesse período, fez viagens pela Europa e União Soviética, onde recebeu o Prêmio Stalin. Novamente no Brasil, Amado lançou o romance, Os subterrâneos da liberdade, sobre o líder comunista Luiz Carlos Prestes e deixou a militância política para se dedicar integralmente à literatura. É a partir daí que escreve seus romances mais populares, como Gabriela, Cravo e Canela (1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e Tereza Batista Cansada de Guerra (1972), que colecionam prêmios.
Em 1961, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Doutor Honoris Causa por diversas universidades de todo o mundo, ele se orgulhava mesmo era do título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia. Sua obra literária conheceu dezenas de adaptações para cinema, teatro e televisão. Seus romances foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas. Morreu em Salvador, em 2001. Foi cremado, e suas cinzas enterradas no jardim de sua residência, na Rua Alagoinhas,em 10 de agosto, dia em que completou 89 anos.
Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)



