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Dias Gomes (1922-1999)

Traduzido para mais de uma dúzia de idiomas, encenado nos palcos internacionais, o teatro de Dias Gomes, voltado para temas sociais, sofreu rigorosa censura política, mas o autor persistiu, construindo a dramaturgia mais premiada do teatro brasileiro que, somada à sua obra de romancista e roteirista de televisão, o fez ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde foi saudado por seu conterrâneo, o escritor Jorge Amado, em 1991.

Alfredo Dias Gomes nasceu em Salvador, Bahia, em 1922 e migrou com a família aos sete anos, para o Rio de Janeiro, onde escreveu sua obra, casou duas vezes e teve sete filhos, cinco com a novelista Janete Clair, sua primeira mulher falecida em 1983, dois com a atriz Maria Bernardete, com quem se casou em 1984.

Rogério Reis/Agência Tyba Dias Gomes (1922-1999) Ampliar
  • Dias Gomes (1922-1999)

Dias Gomes escreveu sua primeira peça teatral, A comédia dos moralistas, aos 15 anos e, com ela, conquistou o primeiro lugar do concurso nacional de Teatro, em 1939. O texto seguinte, Pé-de-cabra, encenado no Rio de Janeiro por Procópio Ferreira, marcou sua estréia como teatrólogo profissional. O espetáculo foi um sucesso, levado por Procópio em excursão pelo país inteiro. Entusiasmado, Procópio assinou com Dias Gomes um contrato de exclusividade para a montagem das peças subsequentes, a serem criadas pelo autor.

Em 1943, a convite de Oduwaldo Vianna, foi para São Paulo produzir peças radiofônicas para o Grande Teatro Pan-Americano, conquistando audiência excepcional durante cinco anos. Na sequência, volta para o Rio de Janeiro e se casou com Janete Clair em 1950. Três anos depois viajou para a União Soviética para participar de um congresso de escritores e, na volta, foi demitido da Rádio Clube.

A situação ficou tão difícil para Dias Gomes que, por algum tempo, foi preciso que colegas assinassem seus textos, possibilitando a encenação do autor proibido, que fazia sucesso nas produções da TV Tupi. Em 1959, o Teatro Brasileiro de Comédia encena, em São Paulo, O pagador de promessas, peça que deu a Dias Gomes notoriedade  internacional. Em 62, publica, A invasão e conquista o prêmio de melhor autor, pela Academia Brasileira de Letras. Em 64, com o golpe militar, é demitido da Rádio Nacional na mesma época em que O pagador de promessas fazia sucesso em Washington e Montevideo.

Com as peças interditadas, escreve Vamos soltar os demônios, que trata da vida de um intelectual sob regime autoritário, censurada também. Contratado pela Rede Globo, escreveu a série O bem amado, um grande sucesso, mas a novela Roque santeiro foi proibida um dia antes da estréia, só voltando a ser exibida com o fim da ditadura. Dias Gomes morreu em São Paulo, em 1999.

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

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Imagem de fundo: Arte sobre foto de Christian Knepper/Embratur Hospedado no Serpro